Capítulo 56 - Eu posso limpar, se quiser.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019


Não aceitaria sair de minha casa, meu canto, meu lugar pra ter de aturar isso, todos os dias que eu saio do trabalho.

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Encolhi-me dentro do meu sobre-tudo porque já iam dar 17h e o vento frio era forte ali na calçada mesmo.

Eu só queria dar uma volta pra esfriar a cabeça.

Andei quase 2 quarteirões depois do prédio e achei uma Starbucks.

Na hora certa.

Entrei e sentei em um cantinho. Ao menos não estava tão cheia. O garçom veio até mim perguntando qual seria meu pedido, e só quis um capuccino médio. Precisava apenas ficar aquecida.

Ele voltou pra dentro da cozinha, e eu fiquei apenas olhando um casal que estava junto nas mesas 
mais atrás. E parece que era eu e Sebastian ali, conversando pela primeira vez quando nos vimos. 

Tudo voltou na minha mente como uma cena de um filme, um filme que eu não gostaria que acabasse nem tão cedo.

Em Boston tinha o problema da minha família, e até um ciuminho de Rick. Mas parece que aqui em 
Londres, tudo progride contra a gente. É Emily, Tom me falando aquelas coisas fofas...

De repente minha mente parou em Tom, e sabe aquilo de poder da mente? Acontece.

Senti uma mão em meu ombro e quando fui me virando pra olhar pro individuo, um calafrio passou pelo meu corpo.

-Não brinca.

-Posso me sentar aqui com você? –Tom perguntou ficando mais na minha frente.

-É claro, fique a vontade.

Ele se sentou de frente pra mim e perguntou:

-O que faz aqui sozinha? –To esperando o papai Noel, cara.

-Nada –Dei de ombros, suspirando. –E você? Mora aqui perto?

-Na verdade ,não. Eu moro no bairro do escritório. Minha avó mora por aqui e eu vim fazer uma visita a ela quando saí do trabalho! Só saí agora e resolvi tomar um café.

O garçom voltou, me entregou o capuccino, e perguntou a Tom:

-Tom?

Tom olhou pra ele, assentindo meio confuso

-É?

-CARA,MEU DEUS. –O cara soltou e logo depois suspirou fundo, se controlando. –Você é do jornal 
daqui, não é? –Ele assentiu –VOCÊ É A OUTONOSTALGICO, NÉ?

-Sou sim. –Disse meio tremula.

Socorro. Ele vai me assaltar ou algo do tipo?

-EU NUNCA IMAGINEI VER VOCES JUNTOS! ACHO QUE MEU SONHO SE REALIZOU! 
Caraca! Me deem um autografo?

Tom e eu começamos a rir. Rir mesmo.

-É claro. –Nós dois respondemos e assinamos um papel que ele deu. Cara, que garoto louco.

-Foi um prazer enorme conhecer vocês. Vai querer algo, Sr. Clifford ?

-Me trás um capuccino pequeno, por favor.

-Claro. A bebida dos dois será por conta da casa. –Eu e Tom sorrimos pra ele ainda assustados com aquela situação.

-É sempre assim com você? –Perguntei a Tom assim que o cara voltou pra cozinha.

Uau, eu estava começando a gostar muito da Starbucks ein.

-As vezes, sim. Mas ainda me pegam de surpresa.

-Uau. Nunca imaginei passar por isso não.

-Todo mundo é reconhecido pelo talento que tem. –Tom esticou seu braço por cima da mesa e 
acariciou o meu.

Eu sorri, bebi um gole do meu cappuccino e tentei voltar a minha consciência.

-Então, ainda não respondeu minha pergunta!

-Ah, eu só vim dar uma volta..

-Teve uma tarde difícil, não é? Está bem pintado nos seus olhos isso.

Fiz um gesto de como se tivesse limpando os olhos.

-Saiu?

Tom gargalhou.

-Acho que não. Eu posso limpar, se quiser.


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