Cheguei em casa completamente devastada. Minha vontade era
só de sentar e chorar.
Droga, por que logo quando tudo começa a dar certo pinta
algo pra desmoronar minha felicidade?
Isso realmente não é justo.
Não tem como eu chegar do nada, arrumar minhas coisas e me
mandar pra Londres, só por causa de um cara.
Ok, eu realmente sinto algo, algo muito forte por
Sebastian, mas.. Será que é tanto pra abrir mão de tanta coisa minha?
Mas eu não podia ficar aqui. Ele logo viria pra buscar
suas coisas.
Juntei suas roupas, e umas pastas do escritório em uma
bolsa, troquei de roupa colocando um sobretudo marrom, já que o frio era
constante lá fora, e na hora que abri a porta pronto pra sair, quem eu menos
esperava, ia tocar campainha.
-Está de saída? –Minha mãe olhou pra bolsa em meu
antebraço
-Estou. É importante? –Ela assentiu. –Entre. Tenho um
tempo ainda.
-Eu realmente ia avisar que daria uma passada aqui hoje, mas..
Bem, acabou que esqueci. –Se aproximou da sala –Filha, o inventário do seu pai
acabara de sair, completo.
Inventário significava, que tipo, todo o dinheiro e os
bens do meu pai fora liberado. Tudo.
-Mas já? –Ela assentiu –E agora?
-Eu queria lhe dar metade.
-Metade? Mãe, é muita coisa.
-Eu sei, mas sua irmã já se virou com tudo do casamento, lua
de mel e a vida está feita. Eu.. Eu só quero ficar quietinha no meu canto.
-Mãe, você está louca eu..
-Tarde demais pra recusar. O dinheiro já foi todo
depositado na sua conta. –Arregalei os olhos, e sorri
Caramba, finalmente uma noticia realmente boa. Mas que
diabos eu faria com aquele dinheiro?
-Ele com certeza vai dar pra você terminar a faculdade, e
montar seu próprio escritório. E quem sabe se de uma coluninha de jornal, você
já não publica aquele seu livro? –Ela se referia a uma relíquia que eu havia
escrito há um tempo.
Nas horas vagas quando ficava realmente triste, eu
costumava escrever. Acabei me empolgando e fiz um livro, mas nunca levei a
serio o bastante pra publicar ,e também vieram os compromissos da coluna do
jornal..
-Ah, mamãe! Obrigada! –Abracei forte ela –Obrigada mesmo!
-Eu sei que logo todos da família saberão, mas eu gostaria
de lhe pedir pra que fique longe daquele cara.
-Que cara, mãe? –Franzi o cenho
-Sebastian. Eu já lhe disse o quanto o pai dele é
perigoso, mesmo não estando com ele.. Bem, nunca se sabe, vai que eles estão
agindo juntos, só pra lhe tomar o dinheiro.
Bufei. Ah, claro Sebastian, feito na vida vai querer o
dinheiro de uma patética universitária.
-Estou falando sério, Ariel. Não quero você se metendo com
aquela gentinha.
-Sabia que talvez ele tivesse razão? Eu não sou sua
bonequinha, mãe. Eu sei muito bem o que eu quero pra minha vida.
-Como assim ele tivesse razão? Vocês estão juntos? –Ela
perguntou alterando o tom de voz.
-E se estivéssemos? –Nessa altura do campeonato, com
certeza não temos mais nada. –Sério, primeiro que ele não é meu primo de
sangue. Segundo, sim, o nome dele está lá na família, mas quem disse que eu
ligo pro que os outros pensam? E por ultimo, eu já disse e repito, eu sei o que
eu quero pra mim, e o que é bom pra mim, mamãe.
-Você não é mais uma garotinha, Ariel. Conheço muito bem
tanto o pai, quanto o filho, pra falar dos dois. E você não tem ideia de onde
está se metendo.
-Que bom. –Dei de ombros seguindo pra porta e abrindo-a
–Parece que agora eu vou descobrir.
Minha mãe passou por mim bufando, e logo desceu.
Peguei a caixa com as coisas do Sebastian, e vi que havia
colocado seu casaco por cima. Peguei-o, agarrei-o e fiquei fungando nele.
Acabei chorando que nem uma idiota, agarrada ao casaco do
ficante (ou Ex, sei lá!). Estava tudo tão confuso, tão..
Peguei meu celular no bolso, ainda sentada ali, encostada
na parede da sala, e mandei uma mensagem pra Melissa:
´´Tá ocupada? Eu preciso muito de você. Muito mesmo.´´
-


Nenhum comentário
Postar um comentário