Capítulo 37 - meça suas palavras

segunda-feira, 29 de outubro de 2018


-Sim, mas eu esperava que você chegasse pra mim, nem que fosse uma semana antes, PELO MENOS, e sentasse pra conversar comigo. Não tentar me comprar com uma gentileza e jogar essa bomba pra cima de mim.

-Te comprar? –Franziu o cenho –Está ficando louca agora? Eu nunca faria isso com você. Queria que fosse como? Em um restaurante? Pra você dar um ataque desses na frente de todos e ir logo pro jornal? É, já sei, seria o tema pra sua nova coluna não é?

-Ataque? Você queria que eu reagisse como, COMO? –Alterei meu tom de voz. O sangue fervilhava em meu corpo.

-Que você fosse mais madura. Quer saber, é exatamente como eu imaginava. Você não passa de uma garotinha mimada que não sai da barra da saída de tua mãe. O que você esquece é que ela não vai 
durar pra sempre, Ariel.

Dessa vez eu não pude me conter. Em segundos minha mão estapeou em seu rosto.

Sebastian tombou a cabeça pro lado onde eu havia acertado e logo levou sua mão, cobrindo-a.

-Você só devia estar pensando que eu era uma dessas garotinhas de Londres, que abrem mão de tudo por uma paixão de inverno. Eu tenho um emprego aqui. Uma vida aqui. Não posso simplesmente jogar tudo pra cima e ir correr atrás de você.

-Correr atrás de mim? Você estaria abrindo mão de algo por sua felicidade, Ariel! Se é que você sente algo por mim, porque até nisso eu tenho duvidas agora. –Ele rebateu

-Acha mesmo que se não sentisse ainda continuaria saindo com você mesmo depois de saber que você é meu primo? Que seu nome está lá, na arvore genealógica? Você tem coragem de dizer isso? –Engoli em seco. Droga. As lágrimas estavam por vir e eu realmente não iria chorar na frente daquele 
babaca.

Peguei minha bolsa no chão e antes de dar as costas, eu falei:

-E meça suas palavras antes de falar comigo desta forma. Eu sou independente o suficiente pra fazer o que EU quiser, a hora que EU quiser, e se EU quiser. Não dependo de ninguém pra absolutamente NADA na minha vida. E não se esqueça que até ontem, quem fugia do papaizinho, e não se dá bem com o resto da família, não era eu.

Andei o mais rápido que pude pra longe dali. Eu não queria ter dito metade das coisas horrorosas que disse, mas eu sou a favor de ´´quem fala o que quer, escuta o que não quer´´´. E em uma situação 
dessas, eu com certeza não ficaria calada.

Dei sorte de ali ter uma estrada bem movimentada e consegui achar um táxi disponível. O mesmo me deixou na porta de meu prédio em instantes.

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