-Sobre a gente? –Ele franziu o cenho, e se sentou na poltrona ao meu lado, com os cotovelos apoiados no joelho (ele estava reclinado pra frente) –Isso existe pra você?
-Não começa. Por favor.
-Desculpe. É que a forma que você me tratou anteontem.. Aliás, ontem parece que eu fui invisível pra você, não é?
-E por que você não me ligou também? –Questionei
-Pra tomar um fora seu? De uma vez?-Eu ia dizer algo, mas logo parei. Eu realmente daria um fora nele.
-Eu precisava de um tempo pra pensar.
-Não importa quanto tempo tome pra pensar, Ariel. Isso é algo entre nós. Nós dois temos que resolver isso. Juntos. –Ele pegou minha mão, e beijou-a. –O que você acha que a gente deve fazer?
-O certo é a gente agir normal. Como se nada tivesse acontecido. Porque nós somos primos. Só primos. Mesmo que não seja de sangue, mas consta lá, nossos nomes na mesma família, me entende?
Sebastian apenas assentiu e soltou minha mão, abaixando a cabeça.
-Mas eu não quero fazer o que é certo, se é o que vai me machucar, e machucar mais ainda você. –Ele me olhou, esperançoso. –Ah meu Deus.. Por que você, é logo você, garoto? –Nós rimos um pouco.
-Eu vou cuidar de você. –Sebastian se levantou e me deu um selinho, de levinho, e ainda bem próximo ao meu rosto, continuou –Nós vamos superar essa juntos. Se não fosse pra a gente ficar juntos não teríamos ficado. Sabe muito bem disso.
E foi ai que eu caí na real. Eu tinha o cara que talvez não fosse o perfeito, ou então o certo na hora certa, mas eu tinha o cara feito pra mim. E ele estava abrindo uma brecha, ou melhor, um buraco na vida dele pra que eu entrasse.
Eu não iria desperdiçar isso.
-Céus, eu gosto tanto de você, garoto. –Dei outro selinho nele –Mas tanto..
-Multiplica isso pelo infinito. É o que eu sinto por você. –Sebastian pegou minha mão e beijou-a, varias vezes.
-Não quero atrapalhar a ceninha, mas o médico está vindo.-Katy entrou no quarto, rindo.
O médico veio até mim, me explicou umas coisas –grande maioria não fez diferença porque minha mente era muito pequena pra tanta informação –e logo nos liberou.
-Vocês vão ficar bem.. Certo? –Minha irmã disse assim que o táxi parou na porta do meu prédio.
-Eu acho que vou. –Falei rindo –Brigada pela ajuda, Katy.
-Valeu, Katy.
Sebastian me ajudou a sair do carro, e não precisei que ele me pegasse no colo ou me apoiar, já que eu havia alugado um par de muletas pra me ajudar.
Entrei em casa, e logo disse:
-Fica a vontade.. Eu vou trocar essa roupa e ficar um pouco deitada.
-Você está bem?
-Estou sim.
Dei as costas pra Sebastian, e só vi o movimento dele se sentar provavelmente ficaria ali, vendo TV, o resto da tarde.
Troquei de roupa, e logo mandei uma mensagem pra Mel:
"Tudo bem ai? Estou com a perna enfaixada e ainda por cima, de muleta, acredita? Hahahah. Mas estou bem, e ainda por cima, Sebastian está me ajudando bastante aqui. Mas o médico mandou repouso até quarta :/ "
Fiquei deitada, coberta, quietinha, esperando ela me responder.
Acabei pegando no sono, e só me despertei quando senti Sebastian deitando atrás de mim, em conchinha (sabe, quando a pessoa te agarra por trás,e cola em você?) assim mesmo.
Virei-me pro lado dele, e ele logo se ajeitou também, bem próximo de meu rosto.
A gente ficou apenas se olhando. Só a luz do abajur iluminava o quarto mas pelo brilho que vinha dele atrás de Sebastian, logo percebi que ele estava sem camisa.
Deslizei minha mão por seu rosto, e fui descendo por todo seu abdômen, sorri ao ver como ele ficou todo arrepiado.
-Você devia estar dormindo. –Ele disse baixinho, se aproximando com sua mão em minha cintura.
-São que horas?
-3 da manhã.. –Sebastian fechou um olho, franzindo o rosto e sorrindo. –Mas eu não costumo dormir
cedo..
-Sei. –Colei bem meu corpo ao dele, e beijei a ponta de seu nariz. –Posso te perguntar uma coisa?
-Pode.
-Por quê você não me contou sobre seu pai?
-


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