Capítulo 27 - precisa dar um jeito nisso

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Katy jogou o buque, uma amiga dela pegou, e a festa foi prosseguindo. Sebastian ficou o tempo todo de pé, cumprimentando os parentes e ficou até conversando com uma prima minha (ou eu deveria dizer, nossa?) mas não se aproximou mais de mim. Aquilo acabou comigo.

Definitivamente eu não queria isso.

-Não acredito que você vai ficar o tempo todo sentada ai. –Katy veio falar comigo depois de um tempo. –Qual é, Ariel? Aqui tem tudo que você quer. Comida, bebida.. E até te apresentei a um gatinho.

-Que é nosso primo.

-De segundo Grau, hellou? Acha mesmo que nossa mãe vai criar caso com isso? –Assenti, franzindo o cenho e Katy riu –Pelo amor de Deus! Você já está prestes a sair da faculdade, é dona do próprio nariz. Você escolhe com quem você mesma quer ficar, sabia disso? A opinião dela ou de ninguém vai mudar isso.

-Ok, Sebastian mandou você vir aqui, não foi?

-Talvez. –Ela deu de ombros, rindo. –Mas eu percebi a forma que vocês dois estavam conversando aqui, e logo depois, ele não voltou mais ou olhou na sua cara. Aliás, é obvio que ele ficou o tempo inteiro olhando pra cá, de olho pra ver se você havia arranjado outra companhia, mas você me entendeu. Não tem nada pra me explicar?

-Sabe, não tem nada demais, demais não. Mas acho melhor não contar nada hoje.

-OK.. Amanha é feriado pra você, não é? –Assenti –Então, a tarde eu vou ver se passo na sua casa. 
Pode ser?

-Claro!

-Certo. Se você não levantar dessa cadeira e ir ao menos dar uma volta, eu vou trazer quem você menos espera aqui pra dançar com você, está me ouvindo?

-Sim, senhora.

Assim que minha irmã se afastou, eu me levantei, e fui dar uma volta. Fui até a área da piscina e me sentei em uma espreguiçadeira.

Quando logo ouvi alguém chegar e dizer:

-Por que uma princesinha dessas está aqui sozinha? –Me virei rapidamente não reconhecendo aquela voz, e fiquei pálida.

Era Eduard ,meu primo.

-Oi Ed! –Levantei e logo o abracei –Caramba, como eu não te vi?

-Alguém da família devia estar te sufocando. –Nós rimos –Mas e ai.. Como vão as coisas?

-Apenas vão. –Dei de ombros –Está tudo certo, digamos assim. E você?

-Bem também. E está com essa carinha por que? Foi algum garoto?

Eduard estava lindo. Ele era um pouco mais novo, tinha seus 18. Mas fomos praticamente criados juntos, ele era tipo um irmão mesmo.

-Talvez. –Bufei –Só estou pensativa mesmo.

-Ah, vamos lá. Fala logo sobre o que é.

Jura? Que ele achava mesmo que eu iria ficar falando sobre tudo o que me incomodava ou meus motivos por estar chateada?

Apenas olhei bem pra ele, e Ed logo assentiu, rindo.

-Certo. Adivinho que você não quer falar sobre isso?

-Exatamente.

-Vou pegar uma bebida. Está afim? –Nem tão cedo!

-Não, obrigada Ed.

-Foi bom te ver, Ariel! –Ele deu um beijo em minha testa e saiu.

Mas eu não poderia ficar ali sentada, sozinha, não adiantaria nada.

Vi que mais pra trás da piscina pulando o arame farpado, tinha uma..não chegava a ser floresta, mas sim um bosque.

Olhei em volta, e vi que estava tudo vazio. Os noivos deviam estar fazendo um comunicado importante, ou sei lá. Tirei meus saltos, levando-os na mão mesmo, dei a volta pela piscina e pulei o arame farpado. Senti algo incomodar na minha perna mas não dei atenção, saindo logo dali e indo pro outro lado.

Apesar de já ser umas 17h e pouca, ainda estava bem claro, então, eu poderia ter um tempo sozinha em um bom lugar, sem ninguém me olhando ou me oportunando.

Fiquei andando um pouco por ali, e vi que no final dava pro pico onde eu e Sebastian havíamos feito um piquenique no final dessa semana. Que ótimo, não é mesmo?

Me sentei e fiquei olhando. O sol ainda estava se pondo, e a paisagem era –fotografável, se é que me entende! – dava pra ver quase Boston inteira dali.

Senti algo arder em minha perna e puxei meu vestido. Havia um enorme arranhado ali, e sangrava muito

-Droga. –Eu sussurrei, enquanto virava minha perna olhando aquilo. Estava feio mesmo.

-Precisa dar um jeito nisso.

E quem chegou ao meu lado?


Sebastian, é claro.

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