Capítulo 25 - o problema é o que os outros vão pensar?

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Ele veio de cabeça baixa, se ajeitando e percebi que estava sem graça. Mas quando foi levantando a cabeça, eu é quem quase enfiei minha cabeça dentro da terra de tão sem graça.

-Esse é Sebastian! Sebastian, essa é minha pequena, Ariel! Ele veio de Londres, riel. É nosso primo distante. Eu já te falei dele umas vezes, lembra?

Primo.

P-r-i-m-o.

-Caramba. –Nós dois ficamos parados, nos olhando. Nenhum criava coragem de parecer ao menos normal (ou natural). –Ahn, prazer. –Eu disse dando dois beijinhos em Sebastian, e ele me abraçando.

-Prazer, Ariel. Quando você falou ´´você tem que conhecer minha pequena!´´ ,eu imaginei pequena mesmo, Katy. –Sebastian riu nervoso e Katy sorriu um tanto.

-É, mas ela é minha pequena. Bom, coloquei os dois na mesma mesa, porque afinal, tem muito em comum e acho que vão se dar muito bem! Sebastian me ajudou bastante nos últimos anos, Ariel, não podia deixar ele de fora dessa!

-Certo. –Balancei a cabeça, sorrindo e querendo morrer.

Sebastian era meu primo, cara, tem noção disso?

-Ahn, Katy –Eu me afastei dele, indo atrás dela que já saía dali e deixava eu e ele sozinhos –Que história é essa de primo, menina?

-Ahnnn, já achou ele interessante, não é? Ele é um gato mesmo. –Katy riu –Ele é na verdade, primo de segundo grau, sabe? Ele é da nossa família e por ser de um parentesco longe, é considerado nosso primo. Mas não é de sangue não. Só da família, entendeu?

Assenti, mas na verdade isso não entrava em meu cérebro. Não batia com tudo.

Katy prosseguiu seu caminho, e quando olhei pra trás vi que Sebastian continuava ali, encostado em uma pilastra, me olhando. Eu apenas me virei e fui atrás pelo caminho de Katy, dando a volta pro 
jardim de trás.

Isso era demais pra minha cabeça. Eu precisava de um tempo pra pensar.

-

-Estamos em uma situação um tanto delicada e ao invés de você me procurar pra resolvermos, está fugindo de mim. Bem madura você, ein? –Olhei pra trás, e vi Sebastian vindo em minha direção.
Eu tinha me afastado de todo mundo, e sentado em um cantinho no chão, mesmo. Mas não havia conseguindo pensar em absolutamente nada.

-Eu precisava pensar. –Respondi ele, e o mesmo logo se sentou ao meu lado.

-E pensou? –Neguei com a cabeça. –Quer que eu saia? –Neguei novamente. –O que você quer então, Ariel?

-Simplesmente fingir que não sinto absolutamente nada por você, te dar as costas, e sumir.

Sebastian ficou apenas me olhando, com a sobrancelha erguida, tanto sério quanto eu.

-Não sei o que fazer. –Ele bufou –Nunca me imaginei em uma situação dessas, ou passei algo parecido.

-Meu máximo foi ficar afim do mesmo cara que minha melhor amiga.

-E o que você fez?

-Fiquei com ele, dã. –Sebastian e eu rimos.

-Eu também não posso negar que não sinto nada por você, Ariel. –Olhei pra ele –Quando a gente ta junto, eu me sinto tão bem.. Você me fez tão bem. –Colocou minha franja atrás da orelha. –Não vou te deixar, eu.. Eu não posso.

-Você tem uma vida em Londres, Sebastian. Hoje, foi um terrível acaso do destino a gente ter descoberto isso. Se não fosse esse casamento, não descobriríamos, e depois seria bem pior.

-Mas nós não somos primos de sangue, Ariel. Não entende?

-Não.. você é quem não está entendendo. Somos da mesma família, tem noção disso? Não é como ´´oi mãe, esse é Rick, meu namorado, -ah, oi, Rick, prazer, onde você mora...´´ é tipo ´´oi mãe, esse é Sebastian, meu nam...-O QUE? COMO VOCE PODE DIZER QUE SEBASTIAN, SEU PRIMO, É SEU NAMORADO, GAROTA?´´ -Imitei a voz dela e ele riu um pouco, balançando a cabeça.


-Então o problema é o que os outros vão pensar?

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