Ele veio de cabeça baixa, se ajeitando e percebi que
estava sem graça. Mas quando foi levantando a cabeça, eu é quem quase enfiei
minha cabeça dentro da terra de tão sem graça.
-Esse é Sebastian! Sebastian, essa é minha pequena, Ariel!
Ele veio de Londres, riel. É nosso primo distante. Eu já te falei dele umas
vezes, lembra?
Primo.
P-r-i-m-o.
-Caramba. –Nós dois ficamos parados, nos olhando. Nenhum
criava coragem de parecer ao menos normal (ou natural). –Ahn, prazer. –Eu disse
dando dois beijinhos em Sebastian, e ele me abraçando.
-Prazer, Ariel. Quando você falou ´´você tem que conhecer
minha pequena!´´ ,eu imaginei pequena mesmo, Katy. –Sebastian riu nervoso e
Katy sorriu um tanto.
-É, mas ela é minha pequena. Bom, coloquei os dois na
mesma mesa, porque afinal, tem muito em comum e acho que vão se dar muito bem!
Sebastian me ajudou bastante nos últimos anos, Ariel, não podia deixar ele de
fora dessa!
-Certo. –Balancei a cabeça, sorrindo e querendo morrer.
Sebastian era meu primo, cara, tem noção disso?
-Ahn, Katy –Eu me afastei dele, indo atrás dela que já saía
dali e deixava eu e ele sozinhos –Que história é essa de primo, menina?
-Ahnnn, já achou ele interessante, não é? Ele é um gato
mesmo. –Katy riu –Ele é na verdade, primo de segundo grau, sabe? Ele é da nossa
família e por ser de um parentesco longe, é considerado nosso primo. Mas não é
de sangue não. Só da família, entendeu?
Assenti, mas na verdade isso não entrava em meu cérebro.
Não batia com tudo.
Katy prosseguiu seu caminho, e quando olhei pra trás vi
que Sebastian continuava ali, encostado em uma pilastra, me olhando. Eu apenas
me virei e fui atrás pelo caminho de Katy, dando a volta pro
jardim de trás.
Isso era demais pra minha cabeça. Eu precisava de um tempo
pra pensar.
-
-Estamos em uma situação um tanto delicada e ao invés de
você me procurar pra resolvermos, está fugindo de mim. Bem madura você, ein?
–Olhei pra trás, e vi Sebastian vindo em minha direção.
Eu tinha me afastado de todo mundo, e sentado em um
cantinho no chão, mesmo. Mas não havia conseguindo pensar em absolutamente
nada.
-Eu precisava pensar. –Respondi ele, e o mesmo logo se
sentou ao meu lado.
-E pensou? –Neguei com a cabeça. –Quer que eu saia?
–Neguei novamente. –O que você quer então, Ariel?
-Simplesmente fingir que não sinto absolutamente nada por
você, te dar as costas, e sumir.
Sebastian ficou apenas me olhando, com a sobrancelha
erguida, tanto sério quanto eu.
-Não sei o que fazer. –Ele bufou –Nunca me imaginei em uma
situação dessas, ou passei algo parecido.
-Meu máximo foi ficar afim do mesmo cara que minha melhor
amiga.
-E o que você fez?
-Fiquei com ele, dã. –Sebastian e eu rimos.
-Eu também não posso negar que não sinto nada por você, Ariel.
–Olhei pra ele –Quando a gente ta junto, eu me sinto tão bem.. Você me fez tão
bem. –Colocou minha franja atrás da orelha. –Não vou te deixar, eu.. Eu não
posso.
-Você tem uma vida em Londres, Sebastian. Hoje, foi um
terrível acaso do destino a gente ter descoberto isso. Se não fosse esse
casamento, não descobriríamos, e depois seria bem pior.
-Mas nós não somos primos de sangue, Ariel. Não entende?
-Não.. você é quem não está entendendo. Somos da mesma
família, tem noção disso? Não é como ´´oi mãe, esse é Rick, meu namorado, -ah, oi,
Rick, prazer, onde você mora...´´ é tipo ´´oi mãe, esse é Sebastian, meu
nam...-O QUE? COMO VOCE PODE DIZER QUE SEBASTIAN, SEU PRIMO, É SEU NAMORADO, GAROTA?´´
-Imitei a voz dela e ele riu um pouco, balançando a cabeça.
-Então o problema é o que os outros vão pensar?
-


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