Eu gritava, implorava, chorava pra ele parar. Eu era muito, muito (tipo, muito mesmo!) sensível a cosquinhas. Tinha pavor.
-Admita que você é gordinha então.
-ESTÁ LOUCO? –A gente já rolava no chão e eu tentava segurar suas mãos, ainda sem parar de rir.
-Se não admitir, não vou parar.
Foi quando tive de usar minha auto-defesa. Consegui segurar suas mãos, ficar por cima dele e imobilizar suas pernas.
-Meu Deus. Que tipo de ninja você é?
-Para. Sério.
-TA,TA,ME SOLTA!
Sai de cima dele, me afastei, e sentei no chão mesmo encostada no sofá, recuperando minha respiração.
Sebastian se aproximou, ficou de frente a mim e apoiou suas mãos em meus joelhos, dizendo:
-Agora sei seu ponto fraco.
-Preciso achar o seu. –Eu disse rindo e tirando minha jaqueta, mas estava apenas com uma regata em V, bem indecente.
Ok, era hora de Sebastian me entregar uma camisa sua.
-Vai demorar pra descobrir. –A campainha tocou na hora e ele se levantou, quando ainda estava de costas, juro que o ouvi sussurrar um “é você”.
-É o que? –Levantei-me ajeitando minha calça e indo pra cozinha beber um pouco d’agua.
-Deve ser o entregador. –Sebastian pigarreou abrindo a porta e pegando nosso pedido.
Dei um sorriso maroto bebendo um pouco d’agua, e ele veio da sala com uma sacola.
-Que fome.
-Eu que o diga. –Falei ajudando-o a pegar os pratos e servir.
-Advinha o que tem pra beber?
-Água? –Disse rindo e ele riu um pouco, mas negou
-Vinho.
-Não faz isso comigo, Sebastian. –Eu ri
-Você tem cara de quem entorna.
-Claro que não!
-Duvido. –Ele disse indo pra cozinha e arrumando a mesa pra gente. –Até ás 21h você já virou a garrafa e está mais do que bêbada tirando a roupa pra mim. –Eu gargalhei da cozinha.
-Nem sóbria eu faria isso querido.
Percebi que Sebastian ficou meio estranho quando fiz o comentário, e logo disse:
-Você diz isso como se bebesse pouco, não é?
-Ah, eu sou um bêbado fodido mesmo. Você não. Tem muito pela frente.
-Meu Deus, você tem quantos anos? 45? –Sentei na mesa de frente pra ele.
-Depende. Você deve ter uns 17.. Eu tenho 26, Ariel.
É o que?
-Não sei se fico assustada por você aparentar ter 24, ou por ter dito que eu aparento ter 17.
-Tem corpo disso, pelo menos.
Ele não vai parar de dizer coisas sem-noção?
-Isso é bom ou ruim?
-Não sei. –Deu de ombros –Pergunte a quem já dormiu com você. Se é que..
-Não entre nesse assunto, Sebastian, olha só onde você está chegando, cara. –Eu disse rindo e
Sebastian logo abriu o vinho, nos servindo.
-Pra nós homens, faz sentido. E não estou mentindo, estou?
Afastei a cadeira, prendi meu cabelo em um coque, e me olhei de cima a baixo. Me olhei mesmo.
-Está. Sinto informar-te.
-Ah, cala boca Ariel.
Um dia você tira a prova e percebe o quanto estava enganado. -Pensei, bebendo o vinho e ignorando
o que ele havia dito.
-Não vai dizer quantos anos tem?
-Depois dessa acho que não.
-Ah, qual é Ariel..
-22, Sebastian. –Ele se engasgou.
Engasgou mesmo.
Tipo, começou a tossir loucamente.
-Jesus, você está bem?
-


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