Capítulo 12- "tem corpo disso"

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Eu gritava, implorava, chorava pra ele parar. Eu era muito, muito (tipo, muito mesmo!) sensível a cosquinhas. Tinha pavor.

-Admita que você é gordinha então.

-ESTÁ LOUCO? –A gente já rolava no chão e eu tentava segurar suas mãos, ainda sem parar de rir.

-Se não admitir, não vou parar.

Foi quando tive de usar minha auto-defesa. Consegui segurar suas mãos, ficar por cima dele e imobilizar suas pernas.

-Meu Deus. Que tipo de ninja você é?

-Para. Sério.

-TA,TA,ME SOLTA! 

Sai de cima dele, me afastei, e sentei no chão mesmo encostada no sofá, recuperando minha respiração.

Sebastian se aproximou, ficou de frente a mim e apoiou suas mãos em meus joelhos, dizendo:

-Agora sei seu ponto fraco.

-Preciso achar o seu. –Eu disse rindo e tirando minha jaqueta, mas estava apenas com uma regata em V, bem indecente.

Ok, era hora de Sebastian me entregar uma camisa sua.

-Vai demorar pra descobrir. –A campainha tocou na hora e ele se levantou, quando ainda estava de costas, juro que o ouvi sussurrar um “é você”. 

-É o que? –Levantei-me ajeitando minha calça e indo pra cozinha beber um pouco d’agua.

-Deve ser o entregador. –Sebastian pigarreou abrindo a porta e pegando nosso pedido.

Dei um sorriso maroto bebendo um pouco d’agua, e ele veio da sala com uma sacola.

-Que fome.

-Eu que o diga. –Falei ajudando-o a pegar os pratos e servir.

-Advinha o que tem pra beber?

-Água? –Disse rindo e ele riu um pouco, mas negou

-Vinho.

-Não faz isso comigo, Sebastian. –Eu ri

-Você tem cara de quem entorna.

-Claro que não!

-Duvido. –Ele disse indo pra cozinha e arrumando a mesa pra gente. –Até ás 21h você já virou a garrafa e está mais do que bêbada tirando a roupa pra mim. –Eu gargalhei da cozinha.

-Nem sóbria eu faria isso querido.

Percebi que Sebastian ficou meio estranho quando fiz o comentário, e logo disse:

-Você diz isso como se bebesse pouco, não é?

-Ah, eu sou um bêbado fodido mesmo. Você não. Tem muito pela frente.

-Meu Deus, você tem quantos anos? 45? –Sentei na mesa de frente pra ele.

-Depende. Você deve ter uns 17.. Eu tenho 26, Ariel.

É o que?

-Não sei se fico assustada por você aparentar ter 24, ou por ter dito que eu aparento ter 17.

-Tem corpo disso, pelo menos.

Ele não vai parar de dizer coisas sem-noção?

-Isso é bom ou ruim?

-Não sei. –Deu de ombros –Pergunte a quem já dormiu com você. Se é que..

-Não entre nesse assunto, Sebastian, olha só onde você está chegando, cara. –Eu disse rindo e
Sebastian logo abriu o vinho, nos servindo.

-Pra nós homens, faz sentido. E não estou mentindo, estou?

Afastei a cadeira, prendi meu cabelo em um coque, e me olhei de cima a baixo. Me olhei mesmo.

-Está. Sinto informar-te.

-Ah, cala boca Ariel.

Um dia você tira a prova e percebe o quanto estava enganado. -Pensei, bebendo o vinho e ignorando
o que ele havia dito.

-Não vai dizer quantos anos tem?

-Depois dessa acho que não.

-Ah, qual é Ariel..

-22, Sebastian. –Ele se engasgou.

Engasgou mesmo.

Tipo, começou a tossir loucamente.

-Jesus, você está bem?

-

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