1ª Parte:
-Ariel, espera, Ariel!
-Não encosta em mim! –Eu continuei andando em meio a chuva, saindo o mais rápido possível daquela faculdade.
Eu já havia visto ceninha demais por hoje.
-Não é o que você estava pensando,e u e Marry, a gente.. –Rick tentava se explicar, mas eu sabia que ele não encontraria uma mentira tão rápida nesse momento.
-O que eu estava pensando então, Rick? –Parei, me virando pra ele com umas lágrimas persistindo em escorrer pelo meu rosto –Você é vidente por acaso, ou seu ego está tão grande assim pra achar que o que estava fazendo era certo?
-Eu não tenho nada com a Marry, eu tenho entre a gente!
-Beijando ela, na minha frente? Jura? Que tipo de relacionamento novo é esse, me explica?
Quer saber?
Eu não perderia mais tempo com esse idiota, não iria acabar com meu mês –que acabara de começar muito mal pelo visto –com isso. Final da próxima semana tem o casamento de minha irmã, e eu não iria estragar o clima por causa de problemas pessoais.
Ainda mais com um idiota como Rick que me enganou durante 4 meses, me traindo e dizendo ainda por cima que seria capaz de casar comigo.
Otário.
-Quer saber? Eu não quero saber. Eu não quero mais nada. Nada. Acabou tudo, Rick. E faça o favor de nunca mais me procurar. Tenho nojo de voce, apenas nojo.
Agora sim, eu dei as costas pra ele, e prossegui meu caminho.
E logo hoje, eu tinha que ter deixado de vir sem carro pra faculdade? Mas que droga!
Corri até o ponto de táxi que havia ali perto mas a chuva ainda era persistente. Vi que não tinha nenhum táxi, e a rua estava quase vazia –era começo da tarde ainda! Onde está todo mundo? –
Reparei numa Starbucks que tinha na próxima esquina, e corri pra lá.
Entrei, me sentei nas primeiras mesas e fiquei olhando o temporal cair lá fora. Não teria outra chance mesmo, a não ser, esperar passar um pouco.
Meu celular vibrou, e eu olhei já indignada pensando ser uma mensagem ou ligação de Rick, mas era só minha melhor amiga, Melissa.
“Você está bem? Quer conversar? Xx”
Coloquei no silencioso para que ele não emitisse nenhum tipo de ruído ou som, e fiquei quietinha, encolhida naquela mesa sozinha.
Eu precisava de um tempinho. OK,não tinha nada tão sério com Rick, mas sabe.. Eu estava afim dele.
E era uma novidade alguém ter me machucado.
Eu cansei, sinceramente, cansei. O próximo babaca que vier dar em cima de mim, eu vou pisar e rolar em cima dele. Afinal, são todos iguais.
-Oi, a senhora está bem? –Veio um atendente dali me perguntar quando eu percebi,oh não..
Estava chorando!
-Sim, sim. –Sequei o rosto com as costas das mãos, rapidamente –Estou sim, obrigada.
-Quer fazer um pedido?
-Me traga só uma garrafa de água, por favor.
-Claro. –Ele saiu e eu logo dei um fundo suspiro,me reconstituindo.
Que vergonha! Nunca imaginei passar por isso na minha vida.
Rapidamente a porta foi aberta bruscamente e um rapaz –muito bonito por sinal, tirando o fato de estar meio molhado –entrou, se sacudindo e sacudindo seu sobretudo, respingando nas mesas e inclusive em mim que logo me encolhi e cheguei mais pro canto, bufando.
Ele usava uma roupa escura, com um cachecol xadrez que realçava sua barba nas laterais do rosto. E carregava uma charmosa bolsa/pasta marrom, de lado.
Mas antes do cara se aproximar do caixa e fazer seu pedido - seu tênis devia estar molhado por causa da chuva- ele tomou um escorregão, e caiu deitado –deitado mesmo! –acho que foi sorte a dele de todos os funcionários estarem dentro da cozinha, e eu, como era a única ali dentro, fui a única que viu.
Ok, eu sou péssima em situações como essas.
Não sabia se ria, ou se ia ajudar o coitado.
Ele é bonito...Ah, que mal faria?
Levantei-me devagar, ainda sem muita reação e vi que ele começara a se levantar também.
-Você está legal? Foi um tombo e tanto. –OK ,coisa que eu não deveria ter dito.
Ele assentiu, e começou a rir.
-Claro que estou, aqui no chão é mais gelado, bem melhor.
-Você quem sabe. –Me reergui, e ameacei me virar, quando ele disse bem alto:
-Não! Quer dizer, desculpe. –Ajudei-o a se levantar –Tive um péssimo dia hoje.
-Aposto que não foi tão ruim quanto o meu.
-O que houve... –Um funcionário chegou perguntando quando me viu ajudando o garoto a se levantar.
-Ele escorregou! Seu chão estava todo molhado! Isso é perigoso, sabia? Você deveria deixar um aviso aqui! –Eu disse, fingindo estar brava e o garoto segurou uma risada, ainda de costas pro atendente.
-Oh meu Deus, me perdoe. O senhor está bem?
-Acho que machuquei as costas. Mas ainda estou vivo, né.
-Que isso senhor, vou preparar um lanche pros dois. Por conta da casa este –O cara falou e eu assenti, ainda bem séria.
-Obrigada pela compreensão. –Eu disse, segurando nas costas do garoto e guiando ele pra mesa onde eu estava sentada.
-Não acredito que fez isso. –O garoto disse, tirando seu cachecol e revelando melhor seu rosto.
Deus, ele era lindo mesmo.
Aparentava ser mais velho, mas uau!
-Você disse que teve um dia péssimo, e eu também. Acho que merecemos algo em troca, né?
-Certo, certo. E posso saber o nome dessa donzela que salvou minha quase chamada de vida?
-Princesa Ariel, por favor. –Eu fiz uma pose, como uma princesa e o garoto riu. –E o nome do desajeitado lord?
-Sebastian, o magnífico, claro. –Nós rimos.
-Então, o que te faz pensar que teve seu pior dia hoje?
-Imagina que você, como publicitária, pinta um cargo novo bem longe de onde você mora, aí você aceita. Só que não sabia que teria de se matar pra trabalhar, e perdeu seu namorado por causa disso. –
Ergui a sobrancelha.
Ah, ele era homossexual.
-NÃO, eu não tenho um namorado. –Sebastian começou a rir quando viu minha cara de desapontada –Não sou, sério. Só te encaixei na situação pra você entender..
-Certo. –Assenti, rindo e um tanto constrangida.
-É isso. E você?
-Sobre seu namoro, eu lamento, e entendo. Eu acabei de perder não um namorado, mas um bom companheiro. –Dei de ombros, olhando pela janela. –Sei lá..
-Não quer falar sobre isso, né? –Balancei a cabeça negativamente. –Mas olha.. Se o cara vacilou, ele é um idiota de perder uma garota assim. –Assenti, sorrindo e sem graça.
-Você é de Londres, não é? –Eu acabei perguntando.
Não dava pra segurar, aquele sotaque fofo estava na cara.
-Sou sim. Você é daqui? –Assenti –E faz o que aqui?
-Termino jornalismo e escrevo em uma coluna no jornal daqui.
-VOCE QUEM ESCREVE OUTONOSTALGICO?
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