-Bom dia. – Thomas disse, entrando todo molhado, dentro do escritório.
-Bom dia.. – eu falei baixinho, porque ele havia passado rapido demais
por mim, nao me dando a chance de falar mais nada. Suspirei, revirando os
olhos.
“Cade voce?” – mandei uma
mensagem no privado, para Camille.
Ela sempre chegava cedinho!
Continuei meu trabalho e meia hora depois, Thomas saiu de sua sala,
vindo falar comigo:
-Sabe aonde está todo mundo?
-Nao. Devem estar presos no transito, ou nao sei.. – falei, olhando-o.
Ele havia tirado o paletó e estava só com sua camisa social azul, por dentro da
calça jeans, um pouco molhada.
-Cara.. A gente tá fudido. – disse ele, passando a mao por seu cabelo. –
tem muita coisa pra fazer.
-Vou fazer o possível pra nao nos atrasarmos, entao.
-Vou pegar meu computador e sentar aqui de frente pra voce. Tem
problema? Já que nao veio ninguem, nao tem porque ficarmos assim..
-Sem problemas. – assenti, voltando minha atençao pro computador.
Era dificil me focar no trabalho com aquele cheiro de 212, o cabelo
molhado e bagunçado dele, e seu jeito todo bem arrumadinho.
Minutos depois lá estava meu chefe, gato pra caralho, sentado no box de
frente a mim, trabalhando.
Enquanto eu lia, respondia emails e ainda atendia ao
telefone, senti seu olhar sob mim mas nao me
deixei levar.
Quando foi chegando a hora do almoço, ele disse:
-Acho que vou pedir algo pra comer aqui mesmo, voce topa, ou prefere
sair?
Isso foi um ‘almoça comigo?’. Bem sutil, esse convite.
-Pode pedir, melhor comermos aqui pra nao juntar mais trabalho.
-Certo. E o que voce quer?
-Uma salada ceasar do La Mole, com um suco de frutas vermelhas está
ótimo.
-Tao light.. – Thomas riu, me olhando.
-Que que tem?
-Nem parece que sabe fazer miojo. – nós dois rimos. – certo. Vou pedir
um spaguetti lá, também.
Entao, ele ligou pra pedir e enquanto meu estomago roncava e eu me
segurava pra nao perguntar sobre como havia sido o encontro dele e de Camille,
de novo, resolvi ficar quietinha.
-Como foi o final de semana? – ele perguntou, do nada.
-Bom. Comi, dormi, caminhei por aí, nada demais. E o seu?
-Nada, também. Só ouvi meus pais reclamando.
-Voce deveria sair pra fazer algo diferente nos fins de semana. Sua
rotina nao vai mudar, se voce nao permitir que ela mude, sabe?
-E o que é ‘fazer algo diferente’ pra voce? Ficar andando por aí?
-É muito bom pra esfriar a cabeça e ver com clareza as coisas.
-Voce acha que eu preciso ver com clareza as coisas?
-Talvez. –dei de ombros, olhando-o e sorrindo.
-A gente poderia fazer algo no fim de seman..
Então o interfone tocou, e sabíamos que era a comida chegando. Graças a
Deus!
-Ah, ainda bem, estou faminta! – falei após Thomas atender o interfone,
pedindo pro cara do La Mole subir.
-E eu.
Depois de recebermos nosso almoço e Thomas insistir em pagar tudo,
finalmente fomos pra cozinha e comemos. Por incrivel que pareça, eu me senti
extremamente satisfeita com minha salada.
Voltamos a trabalhar, meia hora depois de descanso.
-Quer um café? – perguntei a tarde, quando meu cérebro nao conseguia
mais trabalhar sem nenhum
estimulo.
-Com certeza.
-Ja volto.
Fui pra cozinha, mas na hora em que abri os armários, nao vi nada ali
dentro. Entao, fui pra despensa e comecei a procurar o café, quando a luz
acabou e eu fiquei num breu assustador ali dentro.
-Puta que pariu. – sussurrei, tateando até chegar a porta. Coloquei a
mao na maçaneta e puxei, porém ela nao abriu. – nao! Nao, nao! – puxei com mais
força e nada da porta abrir.
Provavelmente a porta é protegida pela energia, e quando acaba, nao abre
mais. Que ótimo.
Me sentei no cantinho, esperando. Nao ia adiantar ficar gritando por
ajuda já que a sala de Thomas ficava bem longe dali. Esse meu dia está cada vez
melhor, nao é mesmo?
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