Capítulo 26 - A chuva (Parte 2)

quinta-feira, 15 de março de 2018

-Bom dia. – Thomas disse, entrando todo molhado, dentro do escritório.

-Bom dia.. – eu falei baixinho, porque ele havia passado rapido demais por mim, nao me dando a chance de falar mais nada. Suspirei, revirando os olhos.

Cade voce?” – mandei uma mensagem no privado, para Camille.

Ela sempre chegava cedinho!

Continuei meu trabalho e meia hora depois, Thomas saiu de sua sala, vindo falar comigo:

-Sabe aonde está todo mundo?

-Nao. Devem estar presos no transito, ou nao sei.. – falei, olhando-o. Ele havia tirado o paletó e estava só com sua camisa social azul, por dentro da calça jeans, um pouco molhada.

-Cara.. A gente tá fudido. – disse ele, passando a mao por seu cabelo. – tem muita coisa pra fazer.

-Vou fazer o possível pra nao nos atrasarmos, entao.

-Vou pegar meu computador e sentar aqui de frente pra voce. Tem problema? Já que nao veio ninguem, nao tem porque ficarmos assim..

-Sem problemas. – assenti, voltando minha atençao pro computador.

Era dificil me focar no trabalho com aquele cheiro de 212, o cabelo molhado e bagunçado dele, e seu jeito todo bem arrumadinho.

Minutos depois lá estava meu chefe, gato pra caralho, sentado no box de frente a mim, trabalhando. 
Enquanto eu lia, respondia emails e ainda atendia ao telefone, senti seu olhar sob mim mas nao me 
deixei levar.

Quando foi chegando a hora do almoço, ele disse:

-Acho que vou pedir algo pra comer aqui mesmo, voce topa, ou prefere sair?

Isso foi um ‘almoça comigo?’. Bem sutil, esse convite.

-Pode pedir, melhor comermos aqui pra nao juntar mais trabalho.

-Certo. E o que voce quer?

-Uma salada ceasar do La Mole, com um suco de frutas vermelhas está ótimo.

-Tao light.. – Thomas riu, me olhando.

-Que que tem?

-Nem parece que sabe fazer miojo. – nós dois rimos. – certo. Vou pedir um spaguetti lá, também.

Entao, ele ligou pra pedir e enquanto meu estomago roncava e eu me segurava pra nao perguntar sobre como havia sido o encontro dele e de Camille, de novo, resolvi ficar quietinha.

-Como foi o final de semana? – ele perguntou, do nada.

-Bom. Comi, dormi, caminhei por aí, nada demais. E o seu?

-Nada, também. Só ouvi meus pais reclamando.

-Voce deveria sair pra fazer algo diferente nos fins de semana. Sua rotina nao vai mudar, se voce nao permitir que ela mude, sabe?

-E o que é ‘fazer algo diferente’ pra voce? Ficar andando por aí?

-É muito bom pra esfriar a cabeça e ver com clareza as coisas.

-Voce acha que eu preciso ver com clareza as coisas?

-Talvez. –dei de ombros, olhando-o e sorrindo.

-A gente poderia fazer algo no fim de seman..

Então o interfone tocou, e sabíamos que era a comida chegando. Graças a Deus!

-Ah, ainda bem, estou faminta! – falei após Thomas atender o interfone, pedindo pro cara do La Mole subir.

-E eu.

Depois de recebermos nosso almoço e Thomas insistir em pagar tudo, finalmente fomos pra cozinha e comemos. Por incrivel que pareça, eu me senti extremamente satisfeita com minha salada.

Voltamos a trabalhar, meia hora depois de descanso.

-Quer um café? – perguntei a tarde, quando meu cérebro nao conseguia mais trabalhar sem nenhum 
estimulo.

-Com certeza.

-Ja volto.

Fui pra cozinha, mas na hora em que abri os armários, nao vi nada ali dentro. Entao, fui pra despensa e comecei a procurar o café, quando a luz acabou e eu fiquei num breu assustador ali dentro.

-Puta que pariu. – sussurrei, tateando até chegar a porta. Coloquei a mao na maçaneta e puxei, porém ela nao abriu. – nao! Nao, nao! – puxei com mais força e nada da porta abrir.

Provavelmente a porta é protegida pela energia, e quando acaba, nao abre mais. Que ótimo.

Me sentei no cantinho, esperando. Nao ia adiantar ficar gritando por ajuda já que a sala de Thomas ficava bem longe dali. Esse meu dia está cada vez melhor, nao é mesmo?


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