-Quais seriam suas respostas?-Ele apoiou sua mão na cabeça,
me olhando.
-Gosto de ler e de ficar olhando as pessoas na cafeteria.
Odeio fugir dos meus sentimentos. Gosto de comida japonesa e de beber qualquer
coisa, menos vinho.
-Como assim, ficar olhando as pessoas na cafeteria, stalker? -Eu ri, assentindo com a cabeça.
-Pois é. Sei lá.. Eu gosto de ver a vida acontecer, me
entende? Ver gente falando, ver gente brigando,
ver gente só conversando..
Rindo, bebendo um café e olhando pela janela do restaurante distraído.. Eu
gosto de observar.
-Que interessante. –Alex ergueu uma sobrancelha, surpreso.
–Voce fala bem sobre isso.. Já fez teatro?
-Não. Nunca entrei no mundo das artes, sempre fui mais das
humanas. –Sentei-me de frente a ele.
-Entendi. Você cursa história com a Kira, né?
-Isso. –Assenti.
-Por que história?
-Ah. Eu sempre amei história, desde o colegial. Sempre achei
fascinante ter tanta coisa do nosso passado e que nos trouxe até aqui, tanta
historia, entende? –Ele assentiu, prestando muita atenção no que eu dizia.
Sentia falta de alguém pra conversar dessa forma. –Tanta gente importante que
um dia vai ser simplesmente esquecida..
-Não necessariamente, né.
-Ah, com certeza vai. –Olhei pra ele, certa do que dizia.
–No futuro vao estudar sobre outras coisas,
tenho certeza nisso.
-E o que você se ve fazendo no futuro?
-Queria minha livraria já montada e eu em meu escritório, em
cima dela, olhando as pessoas lá embaixo e estudando teses e fazendo pesquisas
de história.
-Voce soa tão certa disso.. Queria eu ter toda essa
confiança.
-Por que não tem?
-Minha vida é meio instável. Eu tenho sempre a sensação de
que to fazendo algo que não quero e me vejo perdido. –Assenti com a cabeça. –As
vezes olho pro lado e penso “que diabos to fazendo aqui?”.
-Análise ajuda pra essas coisas.
Alex riu da minha fala.
-Ei, to falando sério.
-Eu posso ficar aqui conversando com você sobre isso e
outras coisas. Não acho que preciso de analise.
Sorri, satisfeita com a forma doce que ele disse.
-Por que que você está solteiro? –Soltei, sem querer.
Puta merda.
-Ah, meu Deus. –Eu falei, rapidamente sem querer. –Desculpe.
Eu não quis..
-Voce fala o que pensa. –Alex riu. –Gosto disso. Bem, eu tô
solteiro por estar, mesmo, sem um motivo especial. Eu não tenho tempo de
paquerar, de ir pra festas dar em cima de meninas e bem, eu não ligo pra isso.
-Voce não sente falta de alguém?
-Quando você se acostuma a ficar sozinho, você só aceita
ficar sozinho.
-E você agora se mudou e vai morar sozinho?
-Aham. Eu e o Herus, meu cachorro que ainda está na casa dos
meus pais. Vou dar uma faxina lá em casa e depois vou trazer ele.
-Voce tem um cachorro, então não é tao antissocial assim,
né? –Nós dois rimos. Levantei pra pegar um copo d’agua e enquanto isso, Alex
perguntou:
-Se eu fosse antissocial, iria ter colocado sua caixa na
porta, tocado a campainha e ido embora. Não acha?
Voltei-me a sentar em frente a ele, bebendo minha agua e
assentindo de forma afirmativa.
-É, você tem razão. Por que que você ta aqui mesmo? -Rimos –To brincando.
-Eu queria conhecer mais sobre essa menina que odeia falar
sobre seus sentimentos, sem ela estar bêbada. Ou encharcada.
-Boa. –Gargalhei.
-Escuta.. Essa semana, como eu disse, eu vou fazer a faxina
lá em casa mas eu não tenho ideia do que preciso comprar pra fazer isso. Será
que você pode me ajudar?
-Voce vai precisar de: um pano, agua, sabão, dois braços,
duas pernas, vassoura e uma empregata que te ajude a limpar.
-Acho que sei onde achar essa empregata.. –Alex abaixou a
cabeça ao falar e depois me olhou, sorrindo.
-Voce está me chamando pra limpar a sua casa, Alex? –Falei
no mesmo tom que ele usou quando sugeriu que eu o estava chamando pra
jantar. Nós dois rimos.
-Voce aceitaria?
-


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