Capítulo 2 - já provou a bebida número 3?

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

-Já provou a bebida número 3?

Eu estava sentada no bar de uma festa quando um cara moreno, cabelo liso e bagunçadinho -provavelmente pelo teor de álcool em seu sangue que eu ja conseguia sentir o cheiro de longe,- com sotaque de Nova York, olhos castanhos escuros e bem vestido chegou dizendo, e sentou-se ao meu lado.

Olhei pra ele por um instante e logo o reconheci: Era o rapaz da gincana de ontem, na lama.

Ai que vergonha.

-Ahn..não. -Falei, meio surpresa por ele ter vindo falar comigo, na verdade.

Peguei o cardápio que tinha as bebidas e procurei pela numero 3.

Não havia nenhuma numero três.

-Não tem nenhuma numero três.

-É. -Ele balançou a cabeça de forma afirmativa, dando aquele sorriso "conquistador".

Mas que na verdade, nao havia me conquistado em nada.

-Você é péssimo. -Balancei minha cabeça de forma negativa, virando meu shot que havia pedido e me levantando dali.

-Ow, espera! -O moreno se achando Nick Jonas veio atrás de mim. -Funcionou com outras. Por que com você não? E.. Eu não te conheço de algum lugar?

-Vai ver elas estavam bêbadas o suficiente. Eu não estou. E hum, não, acho que não conhece não. -Ri, olhando pra trás enquanto continuava andando e tentei disfarçar.

Saí do ambiente da festa e dei de cara com o gramado, onde nos reunimos todos os dias de manha pra fazermos umas atividades aleatórias.

-Isso nao é problema!

Ouvi aquela voz masculina ainda atras de mim e revirei os olhos. Vai ser difícil me livrar desse moleque.

Quando me sentei na grama, ele veio e sentou-se ao meu lado, me passando uma garrafa de vodca Absolut.

-Onde arrumou isso? -Arregalei os olhos, surpresa.

Só tinha bebida na festa, tipo, la dentro da festa. Nao vendiam garrafas assim.

- Vamos dizer que.. Eu consigo as coisas quando quero. -Apoiou um de seus bracos no chao, ao seu lado e ficou um pouco mais perto de mim.

-Somos dois.

Peguei a garrafa de vodca e dei uns goles. A bebida desceu queimando, quase rasgando minha garganta. Mas se essa era a diversão que a noite havia me oferecido, eu iria aceitar então.

-E entao? Voce veio de onde?

Olhei pra ele de forma desconfiada. Ele deu -ou melhor, tentou- em cima de mim ha minutos atras. Agora ele quer se mostrar interessado pela minha vida?

Nao sei se era a vodca ja agindo em mim ou eu mesma sendo louca, porque respondi:

-Do Queens. -Disse o nome do meu bairro. -Me mudei tem cerca de um mes pra lá, e voce?

-Estou pensando em morar lá, sozinho. Nao aguento mais a casa dos meus pais. -Bufou, tomando um gole da vodca agora. - Sabe como é.. 20 anos. Ta na hora, já.

Ele ficou surpreso com minha surpresa quando disse que tinha 20.

- Que?

-Parece que tem 17. Ainda mais com aquela "cantada".

-Ah, princesa -pessimo trocadilho com o nome do meu bairro- por aqui é assim. Os outros, das outras noites, foram muito melhores?

-Os outros? -Franzi o cenho.

-Eu vi voce chegar aqui com duas amigas, desde o primeiro dia do acampamento. Fiquei pensando numa cantada boa, porque sabia que voce era mais velha e merecia algo mais.. Plausível. Mas nao consegui.

-Nao conseguiu mesmo. -Nós rimos-Pra que isso tudo? Tem tanta novinha por aí!

O acampamento era um programa da cidade, que tinha todas as ferias, pra adolescentes de 15 aos 20. Apenas uma forma de.. Integração, interação, de bairros próximos.

-Elas sao meio desmioladas. Nao dá pra se ter uma conversa nem de poucos minutos, como a nossa. -Rimos de novo. -Você me pareceu mais interessante.

-Ah, que bom! Pena que sua cantada nao funcionou.

-É. -Ele me passou a garrafa e eu dei um gole. Depois de minutos, disse: -Funcionou agora?

-Ainda nao. -Gargalhei. -Voce faz faculdade, faz o que da vida?

-Porra nenhuma. -Riu, deitando-se na grama. Fiz o mesmo, ao seu lado. -Eu jogo tênis no clube principal -Um dos clubes mais famosos da cidade. Só joga gente de Elite lá- vou pra umas festas pegar meninas que sejam mais fáceis e aceitam minhas cantadas.. -Ele me olhou e eu olhei pra cima, bufando- e devo começar a trabalhar quando as ferias acabarem.

-Voce vai fazer o que?

-Talvez eu comece na empresa de advogados do meu pai, com um estagio. Estou no terceiro periodo de direito.

-Consigo muito imaginar voce de terno, atras de uma mesa, decidindo o futuro de uma criança de 5 anos de idade que nao gosta da mãe, mas apanha do pai.

-Obrigado pelo elogio, princesa. -Ele riu- Mas apesar de nao parecer.. Eu amo essa merda. É serio. Desde pequeno eu sonhava em ser advogado.

-É? Que sonho estranho. Eu sonhava em ser vendedora de uma loja de livros.

-E voce conseguiu? -Perguntou, rindo.

-Ainda nao. -Bufei. -Dá muito trabalho construir uma livraria, tenho até agora um total de: meio tijolo.

-Talvez isso te ajude a construir mais rapido. -Me passou a garrafa, pra um ultimo gole.

Eu gargalhei.

-Boa ideia!

Bebi mais um pouco e quando conferi a hora no relogio, já iam dar 2 da manhã. Deixamos a festa há quase uma hora atras.

O toque de recolher era daqui ha meia hora, mas eu nao queria ir dormir agora.

Foi quando tive uma ideia.

-Vem, levanta. -Falei, me levantando e o ajudando a o fazer.

-Pra que?

Com muita dificuldade, conseguimos começar a andar

-Ta me levando pro seu quarto, é?

Gargalhei mais uma vez.

-Tenista, voce nao conseguiu nem um beijo com aquela cantada. Pra ter uma foda.. Vai precisar de um pouco mais que isso.

-Droga, voce é dificil pra caralho.


Olhei pra ele e ele deu um sorriso sacana. Apenas assenti, sorrindo tambem. E tive uma vontade absurda de beija-lo, naquele momento. Beija-lo pra caralho.

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