-Já provou a bebida número 3?
Eu estava sentada no bar de uma festa quando um cara moreno,
cabelo liso e bagunçadinho -provavelmente pelo teor de álcool em seu sangue que
eu ja conseguia sentir o cheiro de longe,- com sotaque de Nova York, olhos
castanhos escuros e bem vestido chegou dizendo, e sentou-se ao meu lado.
Olhei pra ele por um instante e logo o reconheci: Era o
rapaz da gincana de ontem, na lama.
Ai que vergonha.
-Ahn..não. -Falei, meio surpresa por ele ter vindo falar
comigo, na verdade.
Peguei o cardápio que tinha as bebidas e procurei pela
numero 3.
Não havia nenhuma numero três.
-Não tem nenhuma numero três.
-É. -Ele balançou a cabeça de forma afirmativa, dando aquele
sorriso "conquistador".
Mas que na verdade, nao havia me conquistado em nada.
-Você é péssimo. -Balancei minha cabeça de forma negativa,
virando meu shot que havia pedido e me levantando dali.
-Ow, espera! -O moreno se achando Nick Jonas veio atrás de
mim. -Funcionou com outras. Por que com você não? E.. Eu não te conheço de
algum lugar?
-Vai ver elas estavam bêbadas o suficiente. Eu não estou. E
hum, não, acho que não conhece não. -Ri, olhando pra trás enquanto continuava
andando e tentei disfarçar.
Saí do ambiente da festa e dei de cara com o gramado, onde
nos reunimos todos os dias de manha pra fazermos umas atividades aleatórias.
-Isso nao é problema!
Ouvi aquela voz masculina ainda atras de mim e revirei os
olhos. Vai ser difícil me livrar desse moleque.
Quando me sentei na grama, ele veio e sentou-se ao meu lado,
me passando uma garrafa de vodca Absolut.
-Onde arrumou isso? -Arregalei os olhos, surpresa.
Só tinha bebida na festa, tipo, la dentro da festa. Nao
vendiam garrafas assim.
- Vamos dizer que.. Eu consigo as coisas quando quero.
-Apoiou um de seus bracos no chao, ao seu lado e ficou um pouco mais perto de
mim.
-Somos dois.
Peguei a garrafa de vodca e dei uns goles. A bebida desceu
queimando, quase rasgando minha garganta. Mas se essa era a diversão que a
noite havia me oferecido, eu iria aceitar então.
-E entao? Voce veio de onde?
Olhei pra ele de forma desconfiada. Ele deu -ou melhor,
tentou- em cima de mim ha minutos atras. Agora ele quer se mostrar interessado
pela minha vida?
Nao sei se era a vodca ja agindo em mim ou eu mesma sendo
louca, porque respondi:
-Do Queens. -Disse o nome do meu bairro. -Me mudei tem cerca
de um mes pra lá, e voce?
-Estou pensando em morar lá, sozinho. Nao aguento mais a
casa dos meus pais. -Bufou, tomando um gole da vodca agora. - Sabe como é.. 20
anos. Ta na hora, já.
Ele ficou surpreso com minha surpresa quando disse que tinha
20.
- Que?
-Parece que tem 17. Ainda mais com aquela
"cantada".
-Ah, princesa -pessimo trocadilho com o nome do meu bairro-
por aqui é assim. Os outros, das outras noites, foram muito melhores?
-Os outros? -Franzi o cenho.
-Eu vi voce chegar aqui com duas amigas, desde o primeiro
dia do acampamento. Fiquei pensando numa cantada boa, porque sabia que voce era
mais velha e merecia algo mais.. Plausível. Mas nao consegui.
-Nao conseguiu mesmo. -Nós rimos-Pra que isso tudo? Tem tanta
novinha por aí!
O acampamento era um programa da cidade, que tinha todas as
ferias, pra adolescentes de 15 aos 20. Apenas uma forma de.. Integração,
interação, de bairros próximos.
-Elas sao meio desmioladas. Nao dá pra se ter uma conversa
nem de poucos minutos, como a nossa. -Rimos de novo. -Você me pareceu mais
interessante.
-Ah, que bom! Pena que sua cantada nao funcionou.
-É. -Ele me passou a garrafa e eu dei um gole. Depois de
minutos, disse: -Funcionou agora?
-Ainda nao. -Gargalhei. -Voce faz faculdade, faz o que da
vida?
-Porra nenhuma. -Riu, deitando-se na grama. Fiz o mesmo, ao
seu lado. -Eu jogo tênis no clube principal -Um dos clubes mais famosos da
cidade. Só joga gente de Elite lá- vou pra umas festas pegar meninas que sejam
mais fáceis e aceitam minhas cantadas.. -Ele me olhou e eu olhei pra cima,
bufando- e devo começar a trabalhar quando as ferias acabarem.
-Voce vai fazer o que?
-Talvez eu comece na empresa de advogados do meu pai, com um
estagio. Estou no terceiro periodo de direito.
-Consigo muito imaginar voce de terno, atras de uma mesa,
decidindo o futuro de uma criança de 5 anos de idade que nao gosta da mãe, mas
apanha do pai.
-Obrigado pelo elogio, princesa. -Ele riu- Mas apesar de nao
parecer.. Eu amo essa merda. É serio. Desde pequeno eu sonhava em ser advogado.
-É? Que sonho estranho. Eu sonhava em ser vendedora de uma
loja de livros.
-E voce conseguiu? -Perguntou, rindo.
-Ainda nao. -Bufei. -Dá muito trabalho construir uma
livraria, tenho até agora um total de: meio tijolo.
-Talvez isso te ajude a construir mais rapido. -Me passou a
garrafa, pra um ultimo gole.
Eu gargalhei.
-Boa ideia!
Bebi mais um pouco e quando conferi a hora no relogio, já
iam dar 2 da manhã. Deixamos a festa há quase uma hora atras.
O toque de recolher era daqui ha meia hora, mas eu nao
queria ir dormir agora.
Foi quando tive uma ideia.
-Vem, levanta. -Falei, me levantando e o ajudando a o fazer.
-Pra que?
Com muita dificuldade, conseguimos começar a andar
-Ta me levando pro seu quarto, é?
Gargalhei mais uma vez.
-Tenista, voce nao conseguiu nem um beijo com aquela
cantada. Pra ter uma foda.. Vai precisar de um pouco mais que isso.
-Droga, voce é dificil pra caralho.
Olhei pra ele e ele deu um sorriso sacana. Apenas assenti,
sorrindo tambem. E tive uma vontade absurda de beija-lo, naquele momento.
Beija-lo pra caralho.
-


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