-Ele é assim mesmo. Ele sempre jogou com suas empregadas, saía com uma
aqui, outra ali.. Mas o negocio é que ele nao é um canalha, amiga. Ele só quer
companhia, companhia de verdade. Porque ele é sozinho.
Eu havia chamado Ariel pra tomar um sorvete comigo, antes de ir pra
casa, e estavamos sentados, conversando um pouco.
-Imagino que ele seja sozinho..
-Mas ele é. A gente mal tem intimidade, e onde ele me encontra, acaba
começando a falar sobre a
vida dele, a desabafar. Porque ele nao tem ninguem
com quem fazer isso, e eu entendo.
-Mas isso nao justifica ele numa hora mostrar que tem interesse em mim,
interesse de verdade, e na seguinte, me tratar como lixo E chamar minha amiga
pra sair.
-É. Ele poderia ser mais espertinho quanto a isso. Mas isso significa
que se ele atacasse, voce pegava?
-Que isso! – fiquei nervosa. – claro que nao, nao! Ele é meu chefe.
-Entao nao se sinta mal por ele jogar, meu bem. Jogue que nem ele.
À noite, Camille me mandou uma mensagem, dizendo que Thomas a chamou pro
cinema na sexta, toda feliz da vida. Coitada, mal ela sabe..
Pediu dicas de roupa e esse tipo de coisa. É claro que eu a tratei
normal, como se nao soubesse de nada. Só nao quero que ele a machuque.
No dia seguinte, cheguei mais cedo no escritório, com meu vestido tomara
que caia quadriculado e um salto –nao-tao-alto-. Thomas chegou junto comigo,
mal eu havia chegado e sentado para conferir emails e ele chegou.
-Bom dia. – ele disse assim que entrou.
-Oi, bom dia. – eu falei, me virando.
Na hora, ele parou de frente a mim e ficou me olhando, surpreso.
-Exagerei? – olhei pro meu vestido, confusa.
-Nao. – riu. – nao, claro que nao. Ahn...voce ja tomou café?
-Ainda nao, por que?
-Quer tomar comigo, rapidinho?
Por um momento muito idiota, quase perguntei “tomar o que?”. Droga. Era
dificil nao me perder naqueles olhos, naquele cheiro..
-Eu posso fazer café aqui pra gente. E a gente come aqui. É melhor e nao
vai me atrasar..
Notei um certo desapontamento em seu semblante.
-Ah. Claro. Vou só por minha bolsa lá dentro e te encontro na cozinha.
-Tudo bem, vou fazendo o café.
Passei por ele e fui pra cozinha, onde encontrei uma bagunça de louça.
Qual o problema dessas pessoas que amam comer, mas odeiam limpar? Que
droga!
Coloquei o pó e a agua fervente na cafeteira, arrumei a mesa pra
sentarmos e comermos, e enquanto isso, comecei a lavar a louça.
-Voce nao foi contratada pra lavar louça, Hanna. Pode deixar isso aí. –
ouvi a voz de Thom, ao entrar na cozinha.
-Eu sei. Ta tudo bem. Nao vou conseguir comer, olhando pra essa bagunça.
-Nao queria que sujasse seu vestido.. – ele disse atrás de mim,
encostando em mim, se esticando pra pegar sua xícara no armário que tinha na
minha frente.
Ok. Vou repetir: atrás de mim. Encostando em mim.
Sacaram? Ok.
-Ta tudo bem. – eu repeti, baixinho, tentando nao tremer.
Ele sugava minhas energias, ao mesmo tempo que fazia meu corpo explodir
em chamas.
Porra, que cliche. Que merda, Hanna
Depois que pegou sua xícara, sentou-se a mesa e enquanto eu tirava o
café e servia um pouco pra
mim, antes de sentar, ele perguntou:
-Vi voce almoçar ontem com o Chris.. Ta rolando?
-Teria problema? – eu soltei, suave. Peguei minha xícara e o bule de
café, sentei-me na mesa e o servi.
-Estagiário pode fazer o que quiser com estagiário. – ele falou, me
olhando. – Só chefe e estagiário que é extremamente proibido. Vai contra a
nossa politica.
Ele disse isso olhando quase que no fundo da minha alma, juro.
-E o que aconteceria?
-Em qual caso?
-Chefe e estagiário.
-Demissão.
-De quem?
-Dos dois.
Ergui a sobrancelha e sorri pra ele.
-Bom saber.
-Por que? Está interessada no seu chefe?
-Que eu posso pegar o estagiário que eu quiser e nao sofrer nenhum dano
por isso.
Thomas nao teve cara quando eu disse isso, entao, pra aliviar a
situaçao, levantei-me da mesa e fui pro meu box, trabalhar.
-


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