-Vou pensar se ele merece minha ilustre presença. –Fiz uma
pose exagerada, rindo.
-Pensa bem, vai todo mundo e.. Temos que ir juntas pra dar
“boas vindas” a mais um semestre de festas e loucuras.
-Bem pensado. –Sorri, abraçando-a –Preciso ir, babe. Nos
falamos depois.
-Bye!
Corri pra pegar um táxi na próxima esquina. Meu carro estava
fazendo revisão e eu teria de ficar uns dias sem ele, infelizmente.
Fiz sinal pra um que avistei vindo de longe, mas na mesma
hora um rapaz se meteu na minha frente, fez sinal e o táxi parou pra ele
entrar.
Ah. Ta. Como se eu fosse deixar isso acontecer.
-Porra nenhuma! Oh, moleque! –Eu corri pra perto dele,
gritando.
Na mesma hora o menino se virou, assustado. Ele estava de
terno, cabelo molhado, bem vestido.. E tinha um rosto que eu jurava que
conhecia de algum lugar..
Mas eu estava atrasa demais pra ficar reparando isso.
Ele me olhou e seu rosto mudou na mesma hora, como se
tivesse prestes a dizer algo do tipo “Deus! É você?”
-Cê é cego? Não me viu fazendo sinal pra esse taxi? -Falei grossa demais, pra ser sincera. Mas eu
tava puta mesmo.
-Po, juro que não. –Falou, sem graça. –Mas eu to muito
atrasado, se não se importa..
Ele ia entrar no taxi mas na hora segurei a porta.
-Eu também!
-Voce vai pra onde? –Perguntou, se sentando e chegando pro
lado. –Entra aí e vamos dividir, rápido.
-Starbucks da Seventy Street. –Falei, olhando pro motorista
e não pra ele.
-Depois me deixe na Widows, é na esquina da Seventy, por
favor. –O menino arrumadinho disse ao motorista. –Ta atrasada pro que? Pro café
da tarde?
-Eu trabalho lá. –Olhei pra ele bem séria. O garoto ficou
vermelho que nem um pimentao na mesma hora. –E você? Vai pra Widows pra roubar
quem? -Devolvi. Eu sabia que a Widows
era uma empresa de advogados. Só queria fazer um trocadilho com ele roubando
meu taxi.
-Desculpe. –Ele sorriu, ainda sem graça. –Eu vou pra um
estágio.
-Boa sorte. –Falei como numa oferta de paz.
Fiquei olhando pela janela depois de dizer, e quando me
voltei pra ele, o menino me observava.
-Que foi?
-Nada. –Sorriu. –Nada..
-Aqui tá bom, moço. –Falei pro motorista. –Aqui.
Fui abrir minha carteira pra pegar o dinheiro e pagar minha parte, mas o menino logo
segurou meu
braço.
-Não, não precisa.
-Mas eu-
-Vá, logo. Vai se atrasar. –Falou de forma gentil.
-Certo. Obrigada. E desculpa. –Franzi minha sobrancelha, sem
graça.
Saí do taxi meio correndo meio desesperada e entrei na
Starbucks o mais rápido que pude.
Fui logo pra trás do balcão trocar de roupa.
Lá, encontrei meu chefe, meu tio, me esperando.
-Finalmente!
-Desculpe. Meu professor agarrou a turma um pouco e depois..
um idiota roubou meu táxi.
-Tudo bem, querida. Troque logo de roupa, daqui a pouco esse
lugar vai estar explodindo de gente.
-Claro, claro.
Coloquei uma calça jeans, o avental da Starbucks, prendi meu
cabelo e coloquei o boné, também.
Fui pra trás do balcão e fiquei cerca de 3 horas atendendo.
Quando o movimento parou, sentei-me numa cadeira atrás da
caixa registradora e fiquei viajando, quando aquele menino estranho do táxi me
surgiu em minha mente.
-Voce já almoçou, Isa? –Meu tio chegou por trás, perguntando
e me livrando daqueles pensamentos estranhos.
-Ih, não. –Falei realmente surpresa. Havia esquecido
completamente de almoçar. Mas também, não teria dado tempo. –Entao aproveite o
descanso e vá comer algo na esquina, rápido.
-Ah, obrigada, tio. –Disse eu rapidamente e peguei logo
minha bolsa.
Tirei o avental e o boné e na hora que estava saindo do
restaurante, dei de encontro com um rapaz alto e cheiroso demais, até.
-Eita. –Falei, rapidamente. –Desculpe eu..
Assim que olhei pra aquele rosto, me era familiar.
-


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