Capítulo 10 - taxi roubado

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

-Vou pensar se ele merece minha ilustre presença. –Fiz uma pose exagerada, rindo.

-Pensa bem, vai todo mundo e.. Temos que ir juntas pra dar “boas vindas” a mais um semestre de festas e loucuras.

-Bem pensado. –Sorri, abraçando-a –Preciso ir, babe. Nos falamos depois.

-Bye!

Corri pra pegar um táxi na próxima esquina. Meu carro estava fazendo revisão e eu teria de ficar uns dias sem ele, infelizmente.

Fiz sinal pra um que avistei vindo de longe, mas na mesma hora um rapaz se meteu na minha frente, fez sinal e o táxi parou pra ele entrar.

Ah. Ta. Como se eu fosse deixar isso acontecer.

-Porra nenhuma! Oh, moleque! –Eu corri pra perto dele, gritando.

Na mesma hora o menino se virou, assustado. Ele estava de terno, cabelo molhado, bem vestido.. E tinha um rosto que eu jurava que conhecia de algum lugar..

Mas eu estava atrasa demais pra ficar reparando isso.

Ele me olhou e seu rosto mudou na mesma hora, como se tivesse prestes a dizer algo do tipo “Deus! É você?”

-Cê é cego? Não me viu fazendo sinal pra esse taxi?  -Falei grossa demais, pra ser sincera. Mas eu tava puta mesmo.

-Po, juro que não. –Falou, sem graça. –Mas eu to muito atrasado, se não se importa..

Ele ia entrar no taxi mas na hora segurei a porta.

-Eu também!

-Voce vai pra onde? –Perguntou, se sentando e chegando pro lado. –Entra aí e vamos dividir, rápido.

-Starbucks da Seventy Street. –Falei, olhando pro motorista e não pra ele.

-Depois me deixe na Widows, é na esquina da Seventy, por favor. –O menino arrumadinho disse ao motorista. –Ta atrasada pro que? Pro café da tarde?

-Eu trabalho lá. –Olhei pra ele bem séria. O garoto ficou vermelho que nem um pimentao na mesma hora. –E você? Vai pra Widows pra roubar quem?  -Devolvi. Eu sabia que a Widows era uma empresa de advogados. Só queria fazer um trocadilho com ele roubando meu taxi.

-Desculpe. –Ele sorriu, ainda sem graça. –Eu vou pra um estágio.

-Boa sorte. –Falei como numa oferta de paz.

Fiquei olhando pela janela depois de dizer, e quando me voltei pra ele, o menino me observava.

-Que foi?

-Nada. –Sorriu. –Nada..

-Aqui tá bom, moço. –Falei pro motorista. –Aqui.

Fui abrir minha carteira pra pegar o dinheiro  e pagar minha parte, mas o menino logo segurou meu 
braço.

-Não, não precisa.

-Mas eu-

-Vá, logo. Vai se atrasar. –Falou de forma gentil.

-Certo. Obrigada. E desculpa. –Franzi minha sobrancelha, sem graça.

Saí do taxi meio correndo meio desesperada e entrei na Starbucks o mais rápido que pude.

Fui logo pra trás do balcão trocar de roupa.

Lá, encontrei meu chefe, meu tio, me esperando.

-Finalmente!

-Desculpe. Meu professor agarrou a turma um pouco e depois.. um idiota roubou meu táxi.

-Tudo bem, querida. Troque logo de roupa, daqui a pouco esse lugar vai estar explodindo de gente.

-Claro, claro.

Coloquei uma calça jeans, o avental da Starbucks, prendi meu cabelo e coloquei o boné, também.

Fui pra trás do balcão e fiquei cerca de 3 horas atendendo.

Quando o movimento parou, sentei-me numa cadeira atrás da caixa registradora e fiquei viajando, quando aquele menino estranho do táxi me surgiu em minha mente.

-Voce já almoçou, Isa? –Meu tio chegou por trás, perguntando e me livrando daqueles pensamentos estranhos.

-Ih, não. –Falei realmente surpresa. Havia esquecido completamente de almoçar. Mas também, não teria dado tempo. –Entao aproveite o descanso e vá comer algo na esquina, rápido.

-Ah, obrigada, tio. –Disse eu rapidamente e peguei logo minha bolsa.

Tirei o avental e o boné e na hora que estava saindo do restaurante, dei de encontro com um rapaz alto e cheiroso demais, até.

-Eita. –Falei, rapidamente. –Desculpe eu..


Assim que olhei pra aquele rosto, me era familiar.

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