- Muito obrigada - agradeci a moça loira baixinha que me entregou a
pizza média sabor frango e molho catupiry com refrigerante de um litro e meio.
- Só um momentinho - falei indo em direção a minha mesa e colocando as coisas,
logo voltando e entregando meu cartão. - Crédito.
Na primeira mordida meu celular tocou.
- Alo - disse com a boca ainda cheia.
- Hanna, que nojento, engole isso - Meu irmão Jeremy resmungou do outro
lado da linha.
Rolei olhos enquanto engolia.
- Fala.
- Hein, tem
como você olhar aí na sua casa se eu deixei meu livro de Coaching? - ouvi ele
suspirar levemente antes de continuar. - Procurei por todo lado e não achei, a
ultima vez que tava com ele foi quando fui aí e prometi emprestar pro Ed -
então ele pausou de novo - ah, a propósito to namorando, Ed é meu namorado.
Juntei o cenho.
- O que aconteceu com a Carly? Eu gostava da Carly - já que não podia
continuar comendo minha pizza, tomei um gole do refrigerante.
Jeremy deu uma risada sarcástica.
- Acontece que a Carly não gostava muito de mim.
- Ble - resmunguei enquanto deitava mais no sofá.- Detestava a Carly.
Ele riu pelo nariz e eu pude o imaginar balançando a cabeça.
- Só me avisa se encontrar, ok?
Concordei mesmo sabendo que ele não podia me ver.
- Tá, e me passa seu novo endereço que dai envio pelo correio se estiver
aqui, pode ser?
- Aham, já te
mando por mensagem, obrigado.
- Tchau.
Coloquei meu celular no sofá ao meu lado e voltei a comer.
Eu até pensei em avisar sobre o emprego mas achei melhor esperar até
segunda quando tudo estiver firme e certo. Não quero dar nem ter esperanças sem
concretização.
No dia seguinte consegui ir devolver a roupa da Tina antes de ir
trabalhar e ainda assim cheguei sete minutos adiantada. Resultado de
planejamento e uma boa noite de sono.
Acontece que, ser adulta e ter um chefe é correr o risco de estar tudo
bem, e de repente, nao estar mais porque seu chefe está de mau humor. E foi
exatamente isso que aconteceu.
-Bom dia. - Eu entrei na sala da empresa, dizendo pras pessoas enquanto
ia em direção a sala de
Thomas.
-Bom dia, Hanna. - Respondiam em uníssono.
Dei dois toques na porta de Thomas e entrei no timing perfeito (pra nao
dizer o contrario, né): ele havia acabado de jogar seu celular em cima de sua
mesa, puto da vida.
-Bom dia. - falei, meio sem graça depois de ter visto a cena e me
aproximando dele. - Acabei de
chegar e queria saber se posso te ajudar com
algo.
-Não.
E foi só isso. Ele mal tinha olhado pra minha cara.
-OK. Estarei ali fora, com a Camille, no lugar de sempre.
Assim que dei as costas a ele, revirei os olhos rapidamente. Eu odiava
grosseria, ainda mais quando nao tinha culpa.
-Hanna, espere. - Ele pigarreou, suspirando, antes que eu abrisse a
porta. Me virei. - Desculpe. Tenho
uma reuniao daqui ha uma hora com uns sócios
da empresa, pra resolver novas propostas, só que minha mãe me ligou e quer que
eu a ajude com compras pra reformar a casa nova dela! Porra! Eu tenho um irmão
que mora com ela e tem vinte e cinco anos, PORRA, ele é mais velho que eu! E
ela vem ME pedir isso! EU! Que tenho uma empresa nas mãos agora!
Escutei tudo quietinha e só concordei com a cabeça.
-Desculpe. Voce nao tem nada com isso, eu só preciso que..
-Eu posso ir com a sua mãe comprar o que ela precisa. Reformei meu
apartamento sozinha, me dou bem com esse tipo de coisa.
-Que? - Thomas ficou parado por um tempo, me olhando, surpreso.
Acho que é forçar intimidade demais com o chefe pedir pra sair com a mae
dele. Né?
-É. Assim você vai poder ir pra sua reunião tranquilo. Não vou fazer
falta aqui, de qualquer forma. Mas se fizer, eu posso depois voltar pra cá e
ficar até mais tarde, resolvendo o que for preciso.
Thomas ergueu a sobrancelha, assentindo.
-Pode ser. Vou pedir pra ela vir e digo que voce irá. Ela nao vai se
importar, tenho certeza.
-Qual o nome dela?
-Alice.
-OK. Eu estarei esperando por Alice. Quando ela chegar, só me chamar que
eu desço. - dei um sorriso simples, me virando.
-Hanna. - virei-me pra ele. - Obrigado. Voce nao precisava fazer isso.
-Tudo bem. - dei de ombros. - qualquer mulher gosta de fazer umas
compras.
Thom sorriu, assentindo.
Fui pra mesa de Camille, que me recebeu com um sorriso e com um
semblante de duvida.
-Por que ficou tanto tempo lá dentro?
-Estava só ajudando-o a resolver uns problemas. Hum, falando nisso, quer
café?
-Sim, seria ótimo.
Passei pela mesa de um pessoal que eu conhecia, que estava fazendo uns
desenhos maravilhosos - eram os "designs" da empresa-, perguntei se
eles tambem gostariam de um café e quando a resposta foi positiva, fui direto
pra cozinha preparar.
O tempo foi certinho d'eu preparar o café, entregar ao pessoal, e entrar
na sala de Thomas para entregar o dele e ele dizer:
-Minha mae está aqui. - estava meio nervoso, notei. - Ah, obrigado,
Hanna.
-Sem problemas. OK. Certo. Estou vestida adequadamente ou voce prefere
que eu pegue outra roupa no estudio? - eu usava uma jeans skinny da Lev's
escura, e uma blusa branca com babados na frente, em gola V.
-Está ótima. - sorriu, aproveitando a deixa pra me dar uma olhada de
cima a baixo. - vou descer com voce, pra eu apresentar voces duas.
-Certo.
Thomas tomou um gole rapido do seu cafe, peguei minha bolsa e descemos.
Na porta do predio, me deparei com uma sorridente velhinha, toda
arrumada, na frente de um carro importado, acenando pra nós dois.
-Oi, mae. - Thomas falou, beijando-a. - Essa é a Hanna, ela vai te
acompanhar hoje.
-Oi, Hanna! - ela falou, animada. - voce é a assistente do meu filho?
-Quase isso. - sorri, cumprimentando-a. - Prazer, srtª Lewis.
-Ah, que isso, pode me chamar de Alice, querida. Temos um dia longo pela
frente!
-Boa sorte pra voces duas. - Thomas disse, sorrindo, ajudando sua mae a
entrar no banco traseiro do carro. Antes d'eu entrar, ele segurou meu braço,
dizendo: - obrigado por isso, Hanna. Se eu puder fazer algo em troca..
-Ta tudo bem. Faço as coisas de graça, porque eu quero fazer. Nao aceito
recompensas.
-Nem um sorvete?
-Um sorvete eu aceito sim, ok.
-OK, entao. Depois que voce voltar, vem pra empresa. Provavelmente
estarei aqui. - fiquei fixada
naqueles olhos por um momento.
-Tudo bem.
Nao seria um mal dia, de todo
-


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