Capítulo 8 - dia de compras

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

- Muito obrigada - agradeci a moça loira baixinha que me entregou a pizza média sabor frango e molho catupiry com refrigerante de um litro e meio. - Só um momentinho - falei indo em direção a minha mesa e colocando as coisas, logo voltando e entregando meu cartão. - Crédito.
Na primeira mordida meu celular tocou.

- Alo - disse com a boca ainda cheia.

- Hanna, que nojento, engole isso - Meu irmão Jeremy resmungou do outro lado da linha.
Rolei olhos enquanto engolia.

- Fala.

- Hein, tem como você olhar aí na sua casa se eu deixei meu livro de Coaching? - ouvi ele suspirar levemente antes de continuar. - Procurei por todo lado e não achei, a ultima vez que tava com ele foi quando fui aí e prometi emprestar pro Ed - então ele pausou de novo - ah, a propósito to namorando, Ed é meu namorado.
Juntei o cenho.

- O que aconteceu com a Carly? Eu gostava da Carly - já que não podia continuar comendo minha pizza, tomei um gole do refrigerante.
Jeremy deu uma risada sarcástica.

- Acontece que a Carly não gostava muito de mim.

- Ble - resmunguei enquanto deitava mais no sofá.- Detestava a Carly.
Ele riu pelo nariz e eu pude o imaginar balançando a cabeça.

- Só me avisa se encontrar, ok?

Concordei mesmo sabendo que ele não podia me ver.

- Tá, e me passa seu novo endereço que dai envio pelo correio se estiver aqui, pode ser?

- Aham, já te mando por mensagem, obrigado.

- Tchau.

Coloquei meu celular no sofá ao meu lado e voltei a comer.

Eu até pensei em avisar sobre o emprego mas achei melhor esperar até segunda quando tudo estiver firme e certo. Não quero dar nem ter esperanças sem concretização.

No dia seguinte consegui ir devolver a roupa da Tina antes de ir trabalhar e ainda assim cheguei sete minutos adiantada. Resultado de planejamento e uma boa noite de sono.
Acontece que, ser adulta e ter um chefe é correr o risco de estar tudo bem, e de repente, nao estar mais porque seu chefe está de mau humor. E foi exatamente isso que aconteceu.

-Bom dia. - Eu entrei na sala da empresa, dizendo pras pessoas enquanto ia em direção a sala de 
Thomas.

-Bom dia, Hanna. - Respondiam em uníssono.

Dei dois toques na porta de Thomas e entrei no timing perfeito (pra nao dizer o contrario, né): ele havia acabado de jogar seu celular em cima de sua mesa, puto da vida.

-Bom dia. - falei, meio sem graça depois de ter visto a cena e me aproximando dele. - Acabei de 
chegar e queria saber se posso te ajudar com algo.

-Não.

E foi só isso. Ele mal tinha olhado pra minha cara.

-OK. Estarei ali fora, com a Camille, no lugar de sempre.
Assim que dei as costas a ele, revirei os olhos rapidamente. Eu odiava grosseria, ainda mais quando nao tinha culpa.

-Hanna, espere. - Ele pigarreou, suspirando, antes que eu abrisse a porta. Me virei. - Desculpe. Tenho 
uma reuniao daqui ha uma hora com uns sócios da empresa, pra resolver novas propostas, só que minha mãe me ligou e quer que eu a ajude com compras pra reformar a casa nova dela! Porra! Eu tenho um irmão que mora com ela e tem vinte e cinco anos, PORRA, ele é mais velho que eu! E ela vem ME pedir isso! EU! Que tenho uma empresa nas mãos agora!
Escutei tudo quietinha e só concordei com a cabeça.

-Desculpe. Voce nao tem nada com isso, eu só preciso que..

-Eu posso ir com a sua mãe comprar o que ela precisa. Reformei meu apartamento sozinha, me dou bem com esse tipo de coisa.

-Que? - Thomas ficou parado por um tempo, me olhando, surpreso.

Acho que é forçar intimidade demais com o chefe pedir pra sair com a mae dele. Né?

-É. Assim você vai poder ir pra sua reunião tranquilo. Não vou fazer falta aqui, de qualquer forma. Mas se fizer, eu posso depois voltar pra cá e ficar até mais tarde, resolvendo o que for preciso.

Thomas ergueu a sobrancelha, assentindo.

-Pode ser. Vou pedir pra ela vir e digo que voce irá. Ela nao vai se importar, tenho certeza.

-Qual o nome dela?

-Alice.

-OK. Eu estarei esperando por Alice. Quando ela chegar, só me chamar que eu desço. - dei um sorriso simples, me virando.

-Hanna. - virei-me pra ele. - Obrigado. Voce nao precisava fazer isso.

-Tudo bem. - dei de ombros. - qualquer mulher gosta de fazer umas compras.

Thom sorriu, assentindo.

Fui pra mesa de Camille, que me recebeu com um sorriso e com um semblante de duvida.

-Por que ficou tanto tempo lá dentro?

-Estava só ajudando-o a resolver uns problemas. Hum, falando nisso, quer café?

-Sim, seria ótimo.

Passei pela mesa de um pessoal que eu conhecia, que estava fazendo uns desenhos maravilhosos - eram os "designs" da empresa-, perguntei se eles tambem gostariam de um café e quando a resposta foi positiva, fui direto pra cozinha preparar.

O tempo foi certinho d'eu preparar o café, entregar ao pessoal, e entrar na sala de Thomas para entregar o dele e ele dizer:

-Minha mae está aqui. - estava meio nervoso, notei. - Ah, obrigado, Hanna.

-Sem problemas. OK. Certo. Estou vestida adequadamente ou voce prefere que eu pegue outra roupa no estudio? - eu usava uma jeans skinny da Lev's escura, e uma blusa branca com babados na frente, em gola V.

-Está ótima. - sorriu, aproveitando a deixa pra me dar uma olhada de cima a baixo. - vou descer com voce, pra eu apresentar voces duas.

-Certo.

Thomas tomou um gole rapido do seu cafe, peguei minha bolsa e descemos.

Na porta do predio, me deparei com uma sorridente velhinha, toda arrumada, na frente de um carro importado, acenando pra nós dois.

-Oi, mae. - Thomas falou, beijando-a. - Essa é a Hanna, ela vai te acompanhar hoje.

-Oi, Hanna! - ela falou, animada. - voce é a assistente do meu filho?

-Quase isso. - sorri, cumprimentando-a. - Prazer, srtª Lewis.  

-Ah, que isso, pode me chamar de Alice, querida. Temos um dia longo pela frente!

-Boa sorte pra voces duas. - Thomas disse, sorrindo, ajudando sua mae a entrar no banco traseiro do carro. Antes d'eu entrar, ele segurou meu braço, dizendo: - obrigado por isso, Hanna. Se eu puder fazer algo em troca..

-Ta tudo bem. Faço as coisas de graça, porque eu quero fazer. Nao aceito recompensas.

-Nem um sorvete?

-Um sorvete eu aceito sim, ok.

-OK, entao. Depois que voce voltar, vem pra empresa. Provavelmente estarei aqui. - fiquei fixada 
naqueles olhos por um momento.

-Tudo bem.

Nao seria um mal dia, de todo

-


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