Stella’s POV:
Quando me dei conta e acordei, eram por volta de 17h. Pelo menos era
horário de verão, e “ainda era dia”. Virei na cama e Austin ainda dormia, feito
um anjo.
Se eu pudesse apenas voltar atrás e poder te-lo pra mim, exatamente como
era há algum tempo atrás..
Parte de mim nao perdoou Austin por não ter perdoado a mim mesma de nao
admitir o quanto eu amo esse garoto. Deslizei minha mão devagarzinho por seu
rosto e dei um beijo em sua testa, antes de me levantar.
Troquei de roupa, e assim que peguei meu celular no bolso de trás da
minha jeans, tinha uma mensagem de Lori:
“Estou indo pra casa já, querida! Tudo bem por ai? Beijo” –Ha meia hora.
E poucos segundos atrás, ouvi um barulho de chave na porta, lá embaixo.
Desci rapidinho, sem fazer barulho, e assim que Lori me viu, saiu
correndo pra me dar um forte abraço.
-Está tudo bem?
-Tudo sim, meu amor. –Ela disse enquanto me abraçava. –Tudo bem por
aqui?
-Sim! Eu fiz um almoço, e Ashley está dormindo lá em cima com o Austin.
Já dei banho nela também!
-Muito obrigada, Stella. Muito obrigada mesmo.
-Que nada, o que precisar, voce tem meu numero. –Sorri –Bom, eu preciso
ir, ainda vou passar no
Dylan pra a gente ensaiar um pouco..
-Tudo bem. Até, Stella.
Quando estava quase saindo, Lori me chamou mais uma vez, e assim que me
virei, ela disse:
-E querida, só mais uma coisa. Eu nao sei o que David disse a voce e que
nem cabe a mim dizer algo, mas.. Se voce quer saber a resposta pra algo, faça a
pergunta certa.
-Como assim?
-Pergunte a si mesma. O que voce sempre quis saber?
Na hora, meu celular começou a tocar e era Trayce.
-Ahn, eu preciso mesmo ir, ok? Minha treinadora já deve estar me
caçando. –Sorri, forçadamente- Nos vemos, Lori.
-Tchau querida.
Saí dali e nem retornei a ligaçao de Trayce. Todas aquelas perguntas,
aqueles assuntos sem sentido estavam acabando comigo..
Quando cheguei na casa de Dylan, sua mãe me recebeu e avisou que ele
estava no banho, então, pediu pra que eu subisse e esperasse em seu quarto
mesmo.
Assim que subi, me sentei na beiradinha de sua cama e fiquei olhando ao
redor de seu quarto. Ele era bem grande, sua cama era Box, bem arrumada e suas
estantes também. Umas com premios, outras com livros, bem diversificadas.
Levantei-me quando um porta-retrato em sua estante me chamou atenção.
Era uma foto sua com 8 anos de idade, com um ingresso de competição de
dança na mão. Muito fofinho. Mas foi quando meus olhos desceram por sua estante
que eu notei os tipos de papéis que estavam em cima da escrivaninha.
Eram artigos, fotos e manchetes sobre o acidente dos meus pais há 3 anos
atrás.
Em todos as folhas estavam circuladas as palavras “nenhuma pista
encontrada”, “culpado procurado pela polícia”, “família desolada”, “suspeito de
jovens alcoolizados”.
Uma onda de terror tomou meu corpo inteiro.
Foi como se eu tivesse voltado, em questão de segundos, pro local
daquele acidente na mesma hora. Como se tudo estivesse acontecendo em camera
lenta.
Depois da morte dos meus pais, Trayce, como a mais chegada e confiante,
ficou de “tomar conta” de mim e cuidar dos negócios. E algo que nunca bateu pra
mim, em todos esses anos, fora que eu NUNCA ficara sabendo de uma noticia do
acidente. Em quem meus pais bateram, por que eles bateram, quem estava no
carro.. Nada. Foi como se tudo estivesse encoberto.
E em vários momentos em que tentei voltar atrás, revirar o passado,
correr atrás pra saber quem causou essa catástrofe em minha vida, Trayce dizia
que nao era uma boa ideia. Ela sempre me tirava da trilha. Sempre.
Mas parece que agora, o destino, ou então, ela mesma está tramando de
trazer tudo a tona. Mas o que ela nem ninguém espera é que eu dessa vez não vou
só pesquisar e guardar papeizinhos sobre pistas.
Eu vou colocar esse bandido na cadeia. Que é de onde ele deveria estar,
ha muito tempo.
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