Nao era o que um homem de verdade deveria estar fazendo, nao é?
Digo.. Um homem de verdade encarava a situação de cabeça erguida, e
tomava as decisões necessárias nao é?
Mas isso nao podia estar acontecendo comigo.. Como eu iria lidar se algo
acontecesse ao meu pai?
A ultima vez que nós tivemos a chance de conversar, eu o tratei feito um
bicho. Digo, como ele pode colocar aqueles paparazzis naquele dia na praia e..
E acabar de vez com a chance de haver –realmente –algo entre mim e Stella?
Isso nao é justo, nao é?
-Por que logo eu? –Gritei, em vão. –Logo eu, cara? Eu sou um INUTIL!
Inútil!
Comecei a jogar pedras naquele rio, que me trazia tantas lembranças
horrorosas.. Foi o unico lugar onde consegui achar Stella, dias depois do
terrível acidente aos seus pais –que ocorreu ali mesmo –onde ela encheu a cara
até nao poder mais, e jogou o carro logo ali. Numa tentativa, falha –graças a
Deus –de se suicidar.
-Ele nao escolhe o que vai acontecer.
E foi justamente nela que eu estava pensando, quem surgiu se aproximando
atrás de mim? Stella, claro.
Mas eu nao me virei. Continuei de costas, jogando aquelas pedrinhas no
rio.
Ela ficou ao meu lado, me olhando, de braços cruzados, sem falar
absolutamente nada.
-Tá esperando o que? Liga pra todo mundo, avisa a Deus e o mundo que eu
estou aqui. Vai.
-Nao sou seu pai pra gostar de tanta publicidade e de chamar atençao,
sabe?
Na hora parei e me virei pra ela, de cenho franzido e eu devia estar com
o rosto completamente vermelho, de tanto chorar, que nem um idiota.
-Como me encontrou aqui? –Falei baixinho, controlando minha voz em um
suspiro.
-AH, Austin.. Lembra que eu te disse que conhecia as suas piores partes?
Então. Essa daqui é uma delas. –Ela olhou em volta, suspirando.
-Nao era pra voce estar aqui.
-Nem voce.
-Nao tinha outro lugar pra ir.
-Entao por que voce saiu de casa? –Ela voltou a me olhar, crítica.
-Eu nao ia aguentar. Eu nao estou aguentando. –voltei a olhar pra agua.
–Eu nao sei se vou conseguir
sem ele, Stella.
-Ele vai ficar bem, voce sabe que vai..
-E se ele nao ficar? O que eu vou fazer?
-O que eu fiz. Segui em frente. –Soltei uma risada ironica.
-Eu percebi. Continua se embebedando em bar, conversando com caras
aleatórios..
-Cada um lida com o luto do seu jeito, nao é? –Ela disse começando dar
as costas pra mim –Volta pra casa logo. Tem gente precisando de voce.
Stella começou a se afastar, mas eu nao podia deixa-la ir daquela forma
novamente.
Me apressei pra alcançá-la e assim que o fiz, segurei seu braço,
puxando-a pra mim, e depositando
minha outra mão livre em sua cintura, colando
nossos corpos, que nem fiz da primeira vez em que nos beijamos.
-Eu também preciso de alguém. –Sussurrei, fitando seus olhos e vendo
Stella completamente hipnotizada por meus lábios.
Colei nossas testas e fui descendo meu rosto pelo seu, até meus lábios
alcançarem os seus. Comecei nosso beijo com um forte –e desesperado- selinho.
Quando pensei que ela fosse se afastar, ou até me bater, Stella levou seus
braços ao redor de meu pescoço e aos poucos foi abrindo sua boca e iniciando um
longo beijo.
-Talvez nao seja eu. –Ela sussurrou assim que terminei nosso beijo,
ainda sem tirar a mão dela.
-Como pode ter tanta certeza?
-Se nao voce nao teria vindo pra cá, justamente pra cá, apenas por saber
que eu viria até aqui pra te encontrar. Isso foi maldade, Austin.
Stella ergueu sua cabeça enquanto falava, olhando nos meus olhos e eu
jurava que pude ver aquela doce Amy de antes perdida naquele olhar assustado,
gritando por socorro e pedindo pra que eu pudesse resgatá-la.
E mais uma vez, ela começou a se afastar, mas dessa vez, eu senti que
nao teria volta.
E mais uma vez porque eu a deixei ir.
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