Afastei-me um pouco da multidão, procurando minha tia e depois de alguns segundos vi uma linda senhora com vestido florido e segurando uma plaquinha de papel, escrita:
“Juliane . (uma seta pra baixo, indicando –Júlia
Matos)
-Ei, tia! –Eu balancei o braço, na ponta dos pés pra que ela me visse e
logo a mesma veio correndo em minha direção.
-Oi, querida! –ela me deu um forte abraço. –Como está? Foi boa a
viagem?
-Sim, sim! Cansativa, me desacostumei..
-Normal.. –Ela riu, pegando minhas malas. –Vamos, você precisa
descansar um pouco.
Sem duvidas. Eram 4 da manhã, né.
Colocamos as coisas no carro e fomos pro bairro em que ela morava, East
Village.
Era um lugar bastante sossegado, seu prédio era lindo e bem
conservado. Minha tia morava sozinha, de vez em quando saia com suas amigas, mas
nunca foi de ter compromisso depois de seu marido, Wilson, falecer quando eu
era pequena.
-Como estão as coisas com minha irmã?
-Bem..
-Já vi que algo mudou, ein. –Ela ajeitou os óculos, me olhando.
-É.. Talvez. Ela anda trabalhando bastante. –Revirei os olhos.
-Uh.. Entendi. Mas bem, você sabe que sempre que precisar, pode vir
ficar comigo. Adoro companhia!
-Obrigada, tia. –Eu sorri lembrando da saudade que eu senti de ficar
aqui com ela. Minha tia era sozinha, mas era um doce de pessoa.
Ela sem duvida era a mãe que eu
queria.
Quando chegamos ela não me deixou desarrumar as malas, disse que faria
isso depois e pediu pra que eu descansasse um pouco, porque no sábado de manha,
ela queria fazer uma corridinha.
-
Acordei no sábado, 19h. Consegui dormir o dia todo, de novo. Palmas
pra mim, mais um dia perdido.
Levantei-me e cheguei na janela do meu quarto.
Estou sonhando?
Olhei a avenida toda. Pessoas correndo de um lado pro outro, pessoas
saindo de táxi cheias de bolsas, crianças brincando, e o frio congelando quase
todo mundo. Aqui era meu lugar.
Desci para a cozinha –já cogitei como era enorme o apartamento de
minha tia? –E logo encontrei-a ao lado, na sala, vendo Tv e costurando.
-Bom dia, querida.
-Boa noite, agora, né tia. –Rimos.
-Por que não coloca um agasalho e vá tomar um frappé na Starbucks? –Sim,
em frente ao prédio, havia uma Starbucks!
-Boa ideia. –Eu disse voltando da cozinha e me sentando ao lado dela.
–Senti falta daqui tia..
-E eu de você, meu amorzinho! –Ela me abraçou forte. –Mas não foi só
eu que senti sua falta.. –Franzi o cenho. –John, querida. Não lembra mais dele?
–meu coração gelou.
Claro que minha tia perguntaria dele. John era meu vizinho, ele morava
no andar debaixo!
-Claro que lembro, tia. –Suspirei, me virando pra frente. –Como sabe
disso?
-Eu contei a ele que vinha pra cá, no começo da semana. Ele ficou
doido..
-Caramba. –Eu ri –Sério isso?
-Sim! Ele está doido pra te ver. Pode marcar de encontrá-lo..
-Talvez tia, talvez. Vou trocar de roupa, e desço, ok?
-Não se preocupe com a hora, querida. Aqui não é sua casa, lembra-te
disso!
Ótimo, agora sim, minhas férias começaram.
Coloquei uma jeans, peguei meu vans vermelho e um casacão vermelho pra
combinar. Peguei meu cachecol e coloquei uns trocados e meu celular no bolso da
Jeans.
Logo que saí, veio aquele vento gelado em meu rosto. A sensação foi
tão boa, tão reconfortante saber que agora sim, eu estava no meu devido lugar.
Fui até a Starbucks e graças a Deus não estava cheia.
-Can I take your ordet? –O cara
do balcão perguntou.
Se eu falar pra vocês que antes dele perguntar eu quase disse “oi, eu
vou querer(...)”?
-Hey, ahn.. Can i have a frappé and two chookies, please? –Eu pedi ainda
forçando meu ingles.
Não havia praticado ainda, né?
-Yes, sure. What frappe flavor?
-Chocolat, please.
-OK, its $3.
–Assenti, dando o dinheiro a ele.
-Thank you –Peguei meus biscoitos e o Frappe.
Sentei-me numa mesa que havia ali perto e fiquei apenas comendo e
olhando lá pra fora.
Distrai-me, pensando nas possibilidades d’eu achar um bom curso de
moda e poder ficar ali com minha tia, e depois que conseguisse uma grana extra
comprar meu apartamento e acabei não percebendo alguém chegar.
-


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