Capítulo 33 - meu lugar

terça-feira, 3 de outubro de 2017









Afastei-me um pouco da multidão, procurando minha tia e depois de alguns segundos vi uma linda senhora com vestido florido e segurando uma plaquinha de papel, escrita:

“Juliane . (uma seta pra baixo, indicando –Júlia Matos)

-Ei, tia! –Eu balancei o braço, na ponta dos pés pra que ela me visse e logo a mesma veio correndo em minha direção.

-Oi, querida! –ela me deu um forte abraço. –Como está? Foi boa a viagem?

-Sim, sim! Cansativa, me desacostumei..

-Normal.. –Ela riu, pegando minhas malas. –Vamos, você precisa descansar um pouco.

Sem duvidas. Eram 4 da manhã, né.

Colocamos as coisas no carro e fomos pro bairro em que ela morava, East Village.

Era um lugar bastante sossegado, seu prédio era lindo e bem conservado. Minha tia morava sozinha, de vez em quando saia com suas amigas, mas nunca foi de ter compromisso depois de seu marido, Wilson, falecer quando eu era pequena.

-Como estão as coisas com minha irmã?

-Bem..

-Já vi que algo mudou, ein. –Ela ajeitou os óculos, me olhando.

-É.. Talvez. Ela anda trabalhando bastante. –Revirei os olhos.

-Uh.. Entendi. Mas bem, você sabe que sempre que precisar, pode vir ficar comigo. Adoro companhia!

-Obrigada, tia. –Eu sorri lembrando da saudade que eu senti de ficar aqui com ela. Minha tia era sozinha, mas era um doce de pessoa.

Ela sem duvida era a mãe que eu queria.

Quando chegamos ela não me deixou desarrumar as malas, disse que faria isso depois e pediu pra que eu descansasse um pouco, porque no sábado de manha, ela queria fazer uma corridinha.

-

Acordei no sábado, 19h. Consegui dormir o dia todo, de novo. Palmas pra mim, mais um dia perdido.

Levantei-me e cheguei na janela do meu quarto.

Estou sonhando?

Olhei a avenida toda. Pessoas correndo de um lado pro outro, pessoas saindo de táxi cheias de bolsas, crianças brincando, e o frio congelando quase todo mundo. Aqui era meu lugar.

Desci para a cozinha –já cogitei como era enorme o apartamento de minha tia? –E logo encontrei-a ao lado, na sala, vendo Tv e costurando.

-Bom dia, querida.

-Boa noite, agora, né tia. –Rimos.

-Por que não coloca um agasalho e vá tomar um frappé na Starbucks? –Sim, em frente ao prédio, havia uma Starbucks!

-Boa ideia. –Eu disse voltando da cozinha e me sentando ao lado dela. –Senti falta daqui tia..

-E eu de você, meu amorzinho! –Ela me abraçou forte. –Mas não foi só eu que senti sua falta.. –Franzi o cenho. –John, querida. Não lembra mais dele? –meu coração gelou.

Claro que minha tia perguntaria dele. John era meu vizinho, ele morava no andar debaixo!

-Claro que lembro, tia. –Suspirei, me virando pra frente. –Como sabe disso?

-Eu contei a ele que vinha pra cá, no começo da semana. Ele ficou doido..

-Caramba. –Eu ri –Sério isso?

-Sim! Ele está doido pra te ver. Pode marcar de encontrá-lo..

-Talvez tia, talvez. Vou trocar de roupa, e desço, ok? 

-Não se preocupe com a hora, querida. Aqui não é sua casa, lembra-te disso!

Ótimo, agora sim, minhas férias começaram.

Coloquei uma jeans, peguei meu vans vermelho e um casacão vermelho pra combinar. Peguei meu cachecol e coloquei uns trocados e meu celular no bolso da Jeans.

Logo que saí, veio aquele vento gelado em meu rosto. A sensação foi tão boa, tão reconfortante saber que agora sim, eu estava no meu devido lugar.

Fui até a Starbucks e graças a Deus não estava cheia.

-Can I take your ordet? –O cara do balcão perguntou.

Se eu falar pra vocês que antes dele perguntar eu quase disse “oi, eu vou querer(...)”?

-Hey, ahn.. Can i have a frappé and two chookies, please? –Eu pedi ainda forçando meu ingles.   

Não havia praticado ainda, né?

-Yes, sure. What  frappe flavor?

-Chocolat, please.

-OK, its $3. –Assenti, dando o dinheiro a ele.

-Thank you –Peguei meus biscoitos e o Frappe.

Sentei-me numa mesa que havia ali perto e fiquei apenas comendo e olhando lá pra fora.


Distrai-me, pensando nas possibilidades d’eu achar um bom curso de moda e poder ficar ali com minha tia, e depois que conseguisse uma grana extra comprar meu apartamento e acabei não percebendo alguém chegar. 

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