Um monstro que em mim habitava

sábado, 16 de setembro de 2017



Acabei de ver um vídeo falando sobre o Setembro Amarelo e pareceu ser a gota d’água que faltava pra eu falar sobre isso também.
Todo mundo tem seus problemas, todo mundo sofre com alguma coisa na vida, mas nem todo mundo é capaz de lidar com tudo.
Aos 14 anos, perdi meu pai. A última pessoa no mundo que eu imaginava que fosse “me deixar” tão cedo. Foi um desastre. Mudei de cidade, colégio, tive que começar do zero, literalmente, porque sabia que não mais era possível viver a vida que eu vivia ali antes dele morrer.
Anos depois, veio um relacionamento novo na minha vida, e de repente me vi colocando todas as expectativas possíveis em cima dele. Me vi querendo que ele suprisse a necessidade, a falta que meu pai me fazia.
A coisa começou a desandar.
Eram ânsias de vômito, dor de cabeça, uma angústia interminável dentro de mim. Eu não conseguia respirar. Choro; choro e mais choro.
E foi conversando com uma amiga próxima, duas amigas próximas, três..que descobri. “Isso não é normal”, “parece ataque de ansiedade..”, “ataque de ansiedade”, “ansiedade”.
O mais bizarro disso tudo é que aos 13, 14 anos eu sentia exatamente isso quando brigava com minha melhor amiga [na epoca]. Por mais simples que a briga fosse, o medo de perde-la, de ficar “sozinha” era maior que tudo.. me levava a choros intermináveis e a sentir essa angústia torturante dentro de mim enquanto as coisas não tivessem 100% resolvidas.
Ou seja, esse monstro sempre esteve dentro de mim. Esperando o momento certo pra sair da caverna.
Perder meu pai, não ter um relacionamento bom com minha mãe, me formar no colégio e não ter mais minhas amigas -todos os dias, de 7, da manhã às 12:50- , me consolando por causa de uma briga ou desentendimento com o namorado e entrar numa faculdade onde eu não conhecia uma pessoa sequer, foi um basta.
Foi hora do meu emocional chacoalhar dentro de mim e começar a gritar, “eu preciso de ajuda!” , “Eu preciso de ajuda".
Minha mãe nunca acreditou em terapias psicologicas. “É coisa de maluco”, “isso é só falta de louca pra lavar”, eu ouvia. E com muita conversa esse paradigma se quebrou e finalmente eu estava livre.
Lembro perfeitamente do dia que aconteceu.
Não tinha acontecido nada. Não tinha brigas, não tinha dor..ah, mas tinha angústia. Tinha angústia de sobra. Choros. Gritos. “O que é que eu vou fazer com você?”, “Vao acabar te enchendo de remédio e colocando você numa cama. É isso que você quer?”
[Eu quero a cura, mãe].
[Eu quero ser livre da minha própria mente].
Quando as sessões começaram não foi nada as mil maravilhas; não foi como tirar um Band aid rápido pra doer menos. Foi como uma sessão de tortura, mas eu sentia a dor indo embora.
Eu finalmente entendia que meu pai foi embora, e eu sinto falta dele, mas que ele não me abandonou.
[ele nunca vai me abandonar].
Eu entendi que não sou louca, mas que também não é normal pôr todas as suas expectativas em cima de alguém e esperar que ela substitua outra pessoa.
[ninguém é substituível].
Eu entendi que precisava de ajuda e ainda preciso.
[Afinal, todos nós precisamos. Alguns cedo demais, outros..tarde demais.]
Não faça parte do tarde demais.
Procure ajuda. Derrube estereótipos.
Não é normal se sentir mal todos os dias.
Não permita que a angústia passe a morar com você.
Aqui não mais ela é bem vinda.

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