Mas eu não estava ali pra fazer papel de boba e muito menos queria chamar atenção de todo mundo por tão pouco. Se bem que eu já estava chamando atenção, toda suja de um spray roxo, né!
Saí correndo atrás de Gabriel e quando ele perdeu o fôlego, pulei –Sim, me dei o trabalho disso –Em cima dele.
Tirei o spray de sua mão e lambuzei sua barriga, pescoço todo.
-Não acredito que fez isso..-Ele disse, se levantando e me deitando ao seu lado –Vai pagar por isso, Júlia, vai pagar!
-Foi o troco, babaca! –Nós riamos e Gabriel se deitou em cima de mim, fazendo peso –AI SOCORRO ESTOU SENDO ESMAGADA, SOCORRO SALVA VIDAS, POR FAVOR.
-Pra que salva vidas, se tem eu, pra te salvar? –Ele se inclinou mais, me beijando.
Estávamos sujos, deitados na areia, lambuzentos, mas o que importa se eu estava suja, deitada na areia, lambuzenta e pagando mico, se estava com quem eu gostava?
Aprendi naquele dia que certas coisas, independente do quão ridículas fossem, quando se está com quem se gosta, elas viram as coisas mais simples, mas que te fazem mais feliz do que imagina.
-Vamos pra casa, preciso trocar de roupa e tomar um bom banho! –Eu falei me levantando devagar.
-AAAAh, mas já?
-VAAAAMOS gab, anda, anda! –Eu estiquei a mão pra que ele levantasse e assim o fez.
Voltamos pra casa e Gabriel logo disse:
-Vou tomar um banho, ta, Jú? Se não, mais tarde fico morgado.
-O sol te traz esse efeito todo, é? –Encostei na bancada da cozinha, rindo.
-Não só ele.. –Gabriel se aproximou, colocando as mãos em minha cintura e me sentando em cima da pia. –Outras coisas também me deixam bem cansados..
-Tipo o que?
-Ver como você é linda, o dia inteiro. –Eu apenas sorri, assentindo e dei um leve selinho em seus lábios.
Gabriel quis prolongar como um longo beijo, mas segurei a gola de sua camisa e o afastei, dizendo:
-Vai logo tomar banho, porque quero também.
-Não quer vir comigo..? –Ele disse quando saía de perto de mim e eu apenas desci da pia, sorrindo e negando com a cabeça. –Não demoro então.
Estava com uma camisa de Gabriel por cima do biquíni e tive uma ideia pra dar o troco do que ele fez comigo na praia.
Arrumei umas coisas na cozinha e quando percebi que Gabriel havia desligado o chuveiro, comecei a gritar:
-GABRIEL, GABRIEL, VEM AQUI!
-Que houve Jú? –Ele saiu correndo do banheiro, só com uma toalha amarrada na cintura, coitadinho, deu até pena!
-T...TEM UM BICHO ENORME DENTRO DA PANELA! –Ele revirou os olhos.
-Me chamou mesmo por causa de um bicho?
-É ENORME GABRIEL, ANDA, ABRE A TAMPA, ABRE! –Na hora, Gabriel abriu a tampa e veio muita, mas muita farinha no rosto dele.
Eu gargalhei, gargalhei e gargalhei mais ainda.
-Por que eu não desconfiei?
-Por que sou meiga! –Gabriel me olhou de soslaio e começou a vir na minha direção, devagarzinho.
O que eu fiz?
Comecei a correr pela casa.
Muito.
-NÃO, SERIO, NÃO CHEGA PERTO DE MIM. –Foi a mesma coisa que dizer “ME AGARRA,ME AGARRA, AI GOSTOSÃO, ISSO VAI, ME AGARRA!”
E assim ele fez.
Gabriel antes que eu dissesse 1 ‘ai’ me pegou no colo e correu pro banheiro comigo. Me ‘’jogou’’ debaixo d’água gelada. Muito gelada.
Ficamos brincando debaixo do chuveiro, mas Gabriel saiu e eu pude tomar ao menos um banho em paz.
Assim que saí, ele já estava pronto e quando perguntei onde íamos ele deu a ideia de sairmos pra almoçar. Aceitei e passamos o resto da tarde passeando na rua mesmo.
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