-Você vai dormir o dia inteiro de novo,
garota? –Já disse o quanto odiava o jeito
delicado que meu irmão me acordava?
Tomei um susto e me sentei rapidamente na
cama. Eu tinha um quase encontro com Gabriel hoje,
caramba!
Quase encontro. Ok Júlia.
-AI MEU DEUS, que horas são?
-Tá preocupadinha em se atrasar pra encontrar
com o Gabriel, é? –Bati com meu travesseiro na cara dele
-Idiota. –Fui pra frente do enorme espelho que
tinha em meu guarda roupa e prendi meu cabelo, logo após abri ele, procurando
uma roupa pra hoje.
-São 12h, ainda. –Lucas levantou da cama, indo
pra porta do quarto. –E ele está lá no meu quarto se você quer saber.
-O que ele está fazendo aqui? –Sussurrei.
-Chamei ele. –Lucas deu de ombros e eu somente
revirei os olhos –Bom, vá almoçar ou sei lá.
Mamãe e papai estão dormindo
ainda.
-Ainda?
-É, chegaram em casa 3 da manhã. –Ergui a
sobrancelha –Ou vai querer dar uns beijinhos no seu príncipe antes ein, ein?
–Joguei meu travesseiro nele de novo.
-TCHAU LUCAS, TCHAU! –empurrei ele pra fora do
quarto e fui logo tomar meu banho.
Terminei de me arrumar em 20 minutos, coloquei
um short e uma bata que estava escrita “music
and beats”, almocei e assim que passei pela sala, Gabriel estava lá com meu
irmão, vendo TV.
-Vamos? –Falei assim que o vi, sorrindo.
-Claro. Falou Luc –ele cumprimentou meu irmão.
-Traga ela viva, ok mano? Ainda preciso de
alguém pra pagar pra arrumar meu quarto. –Gabriel riu.
-Idiota. –Revirei os olhos, indo logo abrir a
porta.
-Então, não se importa de irmos de carro, né?
-Você já dirige?
-Aham, tirei a carteira ano passado. –Assenti.
-Sem problema nenhum. Prefiro até do que ir de
ônibus, ou sei lá. –Eu ri, sem graça.
-É, você não tem cara do tipo que anda de ônibus.
-EEEi! –Ele abriu a porta do carro pra que eu
entrasse, rindo.
-Estava brincando, ei!
Como era domingo, não tinha muito transito, então,
em cerca de meia hora chegamos no Flamengo.
-Uau, é sempre calmo assim? –Eu comentei assim
que saímos do carro. Ele havia estacionado onde
muita gente coloca o carro e
logo a frente estava a pista de skate.
-Às vezes. –Gabriel disse abrindo a mala e
pegando seu skate –Então, você vai querer andar?
-Então. –A gente começou a rir e eu estava
ficando mega nervosa –Você anda um pouco e eu vou ficar só olhando mesmo.
-Mas no final.. Promete que vai tentar ?
–Suspirei. Não resisti á aqueles belos olhos castanhos!
-Prometo, prometo!
-Ok, então vem. –Ele fez sinal pra que chegasse
perto e colocou suas mãos em minhas costas, me
guiando pra pista.
Sentei na beiradinha, lá em cima, na que ele
iria andar. Gabriel colocou seu skate inclinado no chão e tirou seu celular do
bolso.
-Pode ficar com ele? Esse é novo, acho que
meus pais não gostariam de ter que comprar outro por causa de tombos aqui. –Eu
ri assenti, pegando o celular.
-Claro que sim.
-Se importa..? –Ele fez sinal de que ia tirar
sua camisa e eu na hora neguei com a cabeça, dizendo.
-Não, não. Fica a vontade. Aqui é seu
santuário. –Rimos.
-Tudo bem. Mas.. quando quiser andar, me fala,
ok? Te ajudo numa boa. –Assenti novamente.
Gabriel ajeitou a bermuda –não sei se era
charme de skatista, mas estava lá embaixo mostrando a
beirada da sua cueca (da
Calvin Klein, pelo visto) aparecendo –Ok, eu gostava disso, precisava admitir.
E logo inclinou seu skate pra baixo e deslizou na velocidade do vento, fazendo
cada curva e manobra perfeitamente.
Algum tempo depois, estava distraída, apenas
olhando aquele abdômen maravilhoso de Gabriel ir e vir de um lado pro outro quando
seu celular começou a tocar.
O toque era uma musica estranha do Charlie
Brown, ainda não conhecia.
-Gabriel! –Chamei e ele logo foi parando, só
que mais embaixo de mim.
-Sim?
-Seu celular. –Estiquei a mão pra que pegasse.
-Ah, pode atender. –Arregalei os olhos, sem
saber o que dizer. –Fala que to ocupado.
-Ahn.. Oi? –Atendi, não tinha nem visto quem
era.
-Oi? Quem fala? –Ufa, era voz de menino.
-É Júlia, amiga do Gabriel, ele está ocupado.
Quem é?
-Ah, Júlia.. –Ouvi um tom de sarcasmo na voz, provavelmente
era o idiota do Fernando. –Que nada,
não quero atrapalhar voc...É, ele. Ele.
Bom, deixa pra lá. Tchau.
Ok, tchau. –Desliguei, fazendo uma careta.
-Quem era? –Gabriel perguntou rindo, percebendo
minha feição.
-Acho que era aquele seu amigo estranho.
–Tapei minha boca, rapidamente, com vergonha.
-Eei, tudo bem,-Ele gargalhou –Hum, era o
Fernando, né? –Assenti –Já esperava. As garotas não
gostam muito dele. –Rimos
-Entendi.
-No meu celular tem umas musicas do John.. Se
quiser ouvir. –Assenti, animada.
Tinha muita musica boa em seu celular, muita
mesmo. Mas a primeira que eu coloquei no play, foi
Free Fallin.
-Woow. –Gabriel fez uma volta mais na frente
com o skate, sorrindo e começou a cantar a musica. –
Adoro essa musica.
-Eu também. –Sorri e as outras manobras que
ele fizera foi cantando, e olhando de soslaio pra mim, sorrindo.
Gabriel ficou andando por uns 20 minutos, e
depois se aproximou de mim, ofegante dizendo:...
-
Espero que tenham gostado!
Besin, besin, Giulia.

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