Capítulo 24 - Pelo menos você não está morta

quinta-feira, 18 de maio de 2017
2ª parte:
Antes que eu pudesse abrir os olhos, já fiquei mais segura: sentia meu corpo inteiro.
Por um lado não era tão bom, já que eu ainda sentia aquela dor horrorosa na cabeça, e agora, sentia que minhas costelas estavam muito, mas muito doloridas mesmo.
Tomei coragem e fui abrindo os olhos devagarzinho.
Qual é, Elena, não seja medrosa, pelo menos você não esta morta.
Né?
Uma forte claridade veio na minha direção, o que irritou muito meus olhos e eu logo comecei a fecha-los e abri-los varias vezes seguidas pra ver se me acostumava com a luz. Até que finalmente quando consegui, vi um médico com uma prancheta ao meu lado e uma enfermeira do outro, checando um aparelho em meu nariz, controlando minha respiração.
Céus. Medico? Ai meu Deus do céu.
Arregalei os olhos pro médico e comecei a respirar bem forte, eu não ia conseguir me controlar.
-Fica calma, fica calma. –Ele rapidamente se livrou da prancheta e apoiou sua mão em meu braço me acalmando.
-Ela já acordou, Dr? –Ouvi uma voz conhecida e fiquei olhando para os lados, procurando.
Quando finalmente, vi Logan se levantar e se colocar de pé ao meu lado.
Nossa, eu que sofri um acidente e ele que parecia um defunto?
Usava uma roupa bem simples, mas seu rosto estava muito vermelho, seus olhos inchados e eram olheiras ali embaixo também?
-Oh, minha linda. –Ele pegou minha mão, sorrindo e beijando-a. –Que bom que você já acordou.
A única forma que consegui arrumar de dizer algo –ou tentar- foi piscar meus dois olhos e dobrar meus lábios em sinal de “ainda estou viva, relaxa ai”. Mas o nervosismo daquele hospital e a ansiedade daqueles tubos em meu corpo, estava crescendo conforme eu ouvia o “bip” de uma máquina ao meu lado, controlando meus batimentos cardíacos.
-Não pode tirar esse respirador, doutor?
-Você consegue respirar sozinha, Elena? –O médico alto e bem velhinho me perguntava.
Assenti com a cabeça, ainda com os olhos assustados pra ele.
-Certo.
Ele começou a tirar o aparelho devagarzinho e eu me senti muito melhor.
-O que aconteceu, Logan? –Perguntei em uma voz chorosa.
-Na hora que você atravessava a rua, um carro deslizou na pista conforme estava molhada, e ele estava em alta velocidade, minha linda. Ele te atingiu com tudo na lateral de seu corpo..
Na hora que ele disse, dei uma olhada pra baixo, e eu só vestia aquela roupa de hospital. Tirei a coberta de cima de mim, da lateral do meu corpo pelo menos e pude ver que eu estava toda enfaixada, -do estomago até as laterais de meu corpo (minhas costelas, dos dois lados) -.
-Ai meu Deus do céu. –Falei aterrorizada.
Meu máximo de acidente, foi cair quando era pequena e quebrar meu pé, e já fiquei aterrorizada com aquela massa –chamada gesso, er- na minha perna, imagina agora, com essa faixa que devia estar cobrindo vários arranhões e feridas?
-E-Eu estou bem?
-Essa era minha pergunta. –O médico se pronunciou, rindo um pouco –Como você se sente?
-Cansada. –Bocejei –E fraca.
-Imaginei. É normal depois disso.. Ahn, Logan será que você me dá licença pra eu conversar um pouco com Elena? Vai ser rápido. Depois disso, ela já terá alta.
Se não fosse pela parte do “depois disso, ela já terá alta” eu teria entrado em pânico pela parte do “pra eu conversar um pouco com Elena?”.
-Claro. Fica bem linda. Eu já volto, ok? –Ele me deu um selinho rápido e saiu do quarto.
Fiquei olhando Logan sair e acabei mantendo meu olhar na porta daquele quarto. Eu estava com MUITO medo do que aquele médico ia dizer. E pra piorar: eu sabia que não seria nada bom.
-Você já sabe, não é? –O médico disse, se sentando na beirada da cama, perto de meus pés.
-Sei do que? –Perguntei em uma voz baixinha, controlada.
-Quando foi a ultima vez que você foi em um médico, Elena?
-Tem quase 1 ano, doutor. –Eu respondi, e acabou me vindo na mente muitas cenas e recordações da ultima vez. –Por que?
-OK. Eu vou ser direto, não gosto de rodeios. Você está com um tumor, no cérebro, Elena.
Eu continuei olhando pra ele.
Já teve um momento da sua vida que você soube de uma noticia, independente de qual, e apenas ficou ali, parado, sem saber o que fazer ou falar? Como se aquela noticia tivesse te matado, como um tiro a queima roupa?

Pois era assim que eu me sentia agora.
-

Perdoem pela demora, eu não sou uma pessoa muito pontual. 
Gostaria de acrescentar umas notas a esse capítulo. 
Eu escrevi essa história há uns tres anos, acredito, (sei que tem bastante tempo), e nesse momento lembro direitinho d'eu pensando: "como uma pessoa, jovem pra cacete, saudável -até então-, recebe uma noticia de que está com tumor no cérebro?". Pesquisei até mesmo sintomas, porque é um assunto delicado e escrever asneira, coisa que não tem nada a ver, não é a minha cara. 
Até pra histórias assim, eu pesquiso, e tento imaginar o máximo possível. 
Enfim, continuem acompanhando que ainda tem muita coisa pela frente e ainda vem coisa por aí!
Ps: Estou de olho na votação pra nova história, e por enquanto tá empatado.. (desempatem essa merda queridos, porfa, quero postar logo semana que vem!). 
Besin, besin, Giulia

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