2ª parte:
Antes que eu pudesse abrir os olhos, já fiquei mais
segura: sentia meu corpo inteiro.
Por um lado não era tão bom, já que eu ainda sentia
aquela dor horrorosa na cabeça, e agora, sentia que minhas costelas estavam
muito, mas muito doloridas mesmo.
Tomei coragem e fui abrindo os olhos devagarzinho.
Qual é, Elena, não seja medrosa, pelo menos você não
esta morta.
Né?
Uma forte claridade veio na minha direção, o que
irritou muito meus olhos e eu logo comecei a fecha-los e abri-los varias vezes
seguidas pra ver se me acostumava com a luz. Até que finalmente quando
consegui, vi um médico com uma prancheta ao meu lado e uma enfermeira do outro,
checando um aparelho em meu nariz, controlando minha respiração.
Céus. Medico? Ai meu Deus do céu.
Arregalei os olhos pro médico e comecei a respirar
bem forte, eu não ia conseguir me controlar.
-Fica calma, fica calma. –Ele rapidamente se livrou
da prancheta e apoiou sua mão em meu braço me acalmando.
-Ela já acordou, Dr? –Ouvi uma voz conhecida e
fiquei olhando para os lados, procurando.
Quando finalmente, vi Logan se levantar e se colocar
de pé ao meu lado.
Nossa, eu que sofri um acidente e ele que parecia um
defunto?
Usava uma roupa bem simples, mas seu rosto estava
muito vermelho, seus olhos inchados e eram olheiras ali embaixo também?
-Oh, minha linda. –Ele pegou minha mão, sorrindo e
beijando-a. –Que bom que você já acordou.
A única forma que consegui arrumar de dizer algo –ou
tentar- foi piscar meus dois olhos e dobrar meus lábios em sinal de “ainda
estou viva, relaxa ai”. Mas o nervosismo daquele hospital e a ansiedade
daqueles tubos em meu corpo, estava crescendo conforme eu ouvia o “bip” de uma
máquina ao meu lado, controlando meus batimentos cardíacos.
-Não pode tirar esse respirador, doutor?
-Você consegue respirar sozinha, Elena? –O médico
alto e bem velhinho me perguntava.
Assenti com a cabeça, ainda com os olhos assustados
pra ele.
-Certo.
Ele começou a tirar o aparelho devagarzinho e eu me
senti muito melhor.
-O que aconteceu, Logan? –Perguntei em uma voz
chorosa.
-Na hora que você atravessava a rua, um carro
deslizou na pista conforme estava molhada, e ele estava em alta velocidade,
minha linda. Ele te atingiu com tudo na lateral de seu corpo..
Na hora que ele disse, dei uma olhada pra baixo, e
eu só vestia aquela roupa de hospital. Tirei a coberta de cima de mim, da
lateral do meu corpo pelo menos e pude ver que eu estava toda enfaixada, -do estomago
até as laterais de meu corpo (minhas costelas, dos dois lados) -.
-Ai meu Deus do céu. –Falei aterrorizada.
Meu máximo de acidente, foi cair quando era pequena e quebrar meu
pé, e já fiquei aterrorizada com aquela massa –chamada gesso, er- na minha
perna, imagina agora, com essa faixa que devia estar cobrindo vários arranhões
e feridas?
-E-Eu estou bem?
-Essa era minha pergunta. –O médico se pronunciou,
rindo um pouco –Como você se sente?
-Cansada. –Bocejei –E fraca.
-Imaginei. É normal depois disso.. Ahn, Logan será
que você me dá licença pra eu conversar um pouco com Elena? Vai ser rápido.
Depois disso, ela já terá alta.
Se não fosse pela parte do “depois disso, ela já
terá alta” eu teria entrado em pânico pela parte do “pra eu conversar um pouco
com Elena?”.
-Claro. Fica bem linda. Eu já volto, ok? –Ele me deu
um selinho rápido e saiu do quarto.
Fiquei olhando Logan sair e acabei mantendo meu
olhar na porta daquele quarto. Eu estava com MUITO medo do que aquele médico ia
dizer. E pra piorar: eu sabia que não seria nada bom.
-Você já sabe, não é? –O médico disse, se sentando
na beirada da cama, perto de meus pés.
-Sei do que? –Perguntei em uma voz baixinha,
controlada.
-Quando foi a ultima vez que você foi em um médico,
Elena?
-Tem quase 1 ano, doutor. –Eu respondi, e acabou me
vindo na mente muitas cenas e recordações da ultima vez. –Por que?
-OK. Eu vou ser direto, não gosto de rodeios. Você
está com um tumor, no cérebro, Elena.
Eu continuei olhando pra ele.
Já teve um momento da sua vida que você soube de uma
noticia, independente de qual, e apenas ficou ali, parado, sem saber o que
fazer ou falar? Como se aquela noticia tivesse te matado, como um tiro a queima
roupa?
Pois era assim que eu me sentia agora.
-
Perdoem pela demora, eu não sou uma pessoa muito pontual.
Gostaria de acrescentar umas notas a esse capítulo.
Eu escrevi essa história há uns tres anos, acredito, (sei que tem bastante tempo), e nesse momento lembro direitinho d'eu pensando: "como uma pessoa, jovem pra cacete, saudável -até então-, recebe uma noticia de que está com tumor no cérebro?". Pesquisei até mesmo sintomas, porque é um assunto delicado e escrever asneira, coisa que não tem nada a ver, não é a minha cara.
Até pra histórias assim, eu pesquiso, e tento imaginar o máximo possível.
Enfim, continuem acompanhando que ainda tem muita coisa pela frente e ainda vem coisa por aí!
Ps: Estou de olho na votação pra nova história, e por enquanto tá empatado.. (desempatem essa merda queridos, porfa, quero postar logo semana que vem!).
Besin, besin, Giulia

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