Estava terminando de tomar meu café da manhã,
quando senti meu marido, Kevin, chegar por trás de mim, enchendo meu pescoço e
ombro de beijos, me deixando toda arrepiada.
-Bom dia minha-esposa-há-2-anos.
-Bom dia meu-esposo-há-2-anos.
Sorri, virando pra ele e começando a beija-lo.
Mas Kevin não se continha, claro.
Ele logo agarrou minha cintura, tirou-me do
banquinho onde eu estava sentada e começou a me carregar assim pela casa.
Enlacei minhas pernas em sua cintura,
rindo a beça.
-Querido, eu preciso ir pro trabalho! Não
posso me atrasar de nov..
-Ah, pode sim. Só hoje! Hoje pode! - deu
aquele sorriso sapeca, voltando a me beijar.
Chegamos em nosso quarto, Kevin me jogou
praticamente na cama, rindo, e veio deitar-se em cima de mim.
-Voce nao cansa nunca?
-Com isso tudo aqui..? Eu estaria louco se o
fizesse, Jasmine. - Kevin sorria tanto que chega dava pra ver suas covinhas em
suas bochechas.
Entao, ele começou a subir por mim
devagarzinho, beijando todo o meu corpo. Ao chegar na minha cabeça, tirou
rapidamente a unica blusa que eu estava usando (sua, por sinal), e começou a
apalpar meus seios, enquanto me beijava.
-Eu te amo tanto.. -dizia entre sua respiração
agitada.
-Te amo mais! - falei sorrindo, tirando sua
cueca.
No meio de nossos beijos, senti Kevin entrar
em mim e pronto: em segundos eu já pude sentir uma sensação de preenchimento de
meu próprio corpo. Parecia que eu estava completa agora. Só assim. Com a gente
assim.
-Voce é maravilhosa, Jas. - ele dizia,
enquanto fazia movimentos com seu quadril pra cima e pra baixo. Era típico de
Kevin ficar falando nessas horas. E eu amava. Sempre amei.
-Continua, por favor. - falei, baixinho. Ele
amava quando eu implorava.
Joguei minha cabeça pra trás, começando a
quase atingir meu máximo, e enquanto aquela sensaçao gostosa tomava conta de
mim, eu só aproveitava.
Num vacilo de Kevin, rolei e fiquei por cima
dele. Comecei a quase rebolar ali, de levinho, da mesma forma que ele sempre
gostou e que fazíamos em quase todas as vezes.
-Meu Deus.. - sussurrou, agarrando minha nuca
e me puxando pra baixo, pra me beijar.
Colocando meus dois braços em minhas costas,
como quase me prendendo, Kevin me segurava, aumentando seu ritmo.
E em segundos depois, eu colei a cabeça em seu
ombro, já satisfeita. Já finalizada.
-Vou continuar mais um pouco. Pode ser?
-A vontade. - estava gostoso ali. Nao queria
sair nunca mais dali.
Vi Kevin sorrir enquanto me virava de volta
pra baixo, e voltava a ficar por cima de mim. Deitou-se, entao, colando de vez
nossos corpos e fazendo seus movimentos ficarem cada vez mais sensuais, me
levando a loucura mais uma vez.
-De novo? - ele perguntou, rindo, ao me ouvir
gemendo.
-Nao consigo me conter. - eu ri, acariciando
sua nuca.
-Vamos juntos então.
Aumentou seu ritmo do quadril e só senti seu
membro pulsar dentro de mim, segundos depois de ter ejaculado. Era uma sensação
tao boa..
-Jura que nunca vai cansar de mim? - Ele
perguntou, deitando-se ao meu lado.
-Nunca. - beijei-o. - Nunca, nunca, nunca.. -
rimos.
-O tempo passa e eu continuo a dizer: parece
que foi ontem.
-O pior e melhor dia da minha vida. - deitei
minha cabeça na cama, deixando ser levada pelas memórias do dia em que conheci
Kevin.
Flashback:
-To aí em cinco minutos, mae. - Falei assim
que entrei no meu carro e liguei-o, pondo na rua novamente.
Foi um dia agitado.
Dia da entrega do meu TCC na faculdade,
começar a procurar roupa pra minha formatura.. Loucura pensar que passou tão
rapido! E agora, estava indo pra casa de minha mae, encontra-la para
almoçarmos, como é sempre feito as sextas-feiras.
Parada no sinal, do nada ouço um barulho de
vidro sendo quebrado e vejo um movimento incomum atrás de mim, de reflexo.
Era real: eu estava sendo assaltada.
Nao sei porque, meti a mão na buzina e joguei
meu carro pro lado, onde tinha um canteiro dividindo a rua. Meu carro,
desajeitadamente, passou por cima dele e consegui trocar de via, deixando o
assaltante pouco atrás, sem muita reação. Mas foi instantaneo, nao consegui
pensar muito. Só pensei: nao. Nao vai ser hoje que vou ser assaltada.
Ainda cheia de adrenalina e me tremendo da
cabeça aos pés, continuei na rua andando que nem louca -pelo menos tirei a mao
da buzina- e logo depois, vi uma viatura policial atrás de mim, piscando farol.
Estava pedindo pra eu parar.
Encostei o carro na calçada e esperei.
Puta que pariu.
-Olá, senhora. - Um policial que parecia bem
novo, com cabelo bem curtinho, olhos verdes, de pele morena, barba, se agaixou
na minha janela, dizendo. - Por que a pressa?
-Acabei de ser assaltada. Oh o vidro de trás.
- Indiquei com a cabeça e foi quando ele deu uma olhada.
Nao tinha vidro mais e o banco era só
estilhaço de vidro.
-Mas precisava passar pelo canteiro daquela
forma, arriscando um acidente?
-Pois é. Foi loucura. Mas nao pensei muito.
Nao sabia se o cara estava armad..
Quando eu ia terminar de falar, só ouvi dois
disparos de longe.
O segundo fez o policial arregalar os olhos,
me olhando, e se segurar com força no meu carro.
-Voce foi atingido? Meu Deus, é o cara que
tentou me assaltar! entra no carro, rápido! - Eu disse nervosa. A bala tinha
pego nele e no meu carro, ele ia tentar matar nós dois agora.
O policial entrou no banco de trás mesmo, em
cima dos cacos de vidros, e na hora que bateu a porta, eu só dirigi o mais
rápido que pude.
-Entendeu por que eu corri, agora? - falei,
olhando-o pelo retrovisor.
-Porra, filho da puta.. - disse entredentes. -
Policial ferido. Repito: policial ferido, a caminho do hospital com uma vitima
do assalto. Suspeito de roupa preta, tenis verde. Avenida Marshal Edwards.
Mandem reforço, reforço urgente! - gritou no rádio que tinha perto de seu
peito.
-Onde ele te machucou? E como voce sabia que
ele usava tenis verde?
-Vi ele te assaltando. Po, acho que foi na
perna, ou quadril. Nao to sentindo muito bem nenhum dos dois.
-Ahhh, meu deus, nada bom, nada bom! Sabe qual
é o hospital mais proximo daqui?
-Voce nao é daqui?
-To meio nervosa agora pra pensar. - eu
continuava me tremendo e tentando entender ainda que diabos tava acontecendo
ali.
-Bem, ha um quarteirao daqui tem. Sabe qual?
Esqueci o nome..
-Ah, sei. Aquele amarelinho com marrom, ne?
-Esse mesmo.
-Voce quer que eu ligue pra alguem, algum
familiar..?
-Boa. - assentiu. - liga aí. - ele ditou um
numero, e aproveitei que parei num sinal vermelho pra ligar.
Segundos depois, ouvi o toque atrás de mim.
Franzi o cenho.
Ele me olhou sorrindo, pelo retrovisor.
-Agora eu tenho seu numero. Voce o meu.
-Cara. - ri, de nervoso. - Voce tá realmente
dando em cima de mim?
-É um agradecimento. Voce tá salvando minha
vida agora. Podia ter ido embora e me deixado lá.
-Se fosse uma situaçao normal nao daria em
cima de mim, entao? Só ta dando porque te salvei?
Por que diabos eu estava pensando isso?
-Cara. - ele riu com bastante dificuldade,
percebi. Estava se segurando ao maximo pra nao se movimentar muito. - Eu daria
em cima de voce..
-Jasmine.
-Eu daria em cima de voce, Jasmine. De
qualquer maneira. Voce é muito bonita e muito esperta, também. Pensa rápido.
Daria uma boa policial.
-Deus me livre. - olhei-o rapidamente, me
arrependendo na hora de ter dito aquilo, - Ah, Desculpe. Só nao é algo que eu
almejo.
-Voce faz faculdade?
Vi que estava tudo engarrafado. Demorariamos
muito pra chegar no hospital.
Encostei meu carro na calçada, aproveitando
que já estava parada no sinal mesmo, abri minha bolsa e tirei um casaco meu que
tinha ali.
O policial nao estava entendendo nada, mas saí
do carro, fui pro banco de trás e pedi:
-Preciso amarrar isso na minha perna.
-Pra que?
-Pra estancar o sangramento. Vamos demorar pra
chegar no hospital e voce pode perder muito sangue até lá.
-Boa. - ele assentiu.
Virou-se com bastante dificuldade, e deitou-se
de bruços, ficando com as duas pernas pra cima. Estava feio a coisa ali. A
perna esquerda havia sido atingida e estava com um buraco nela, da bala que
entrou.
-Ein? -ele perguntou, do nada.
-Ein o que?
-Voce faz faculdade?
-Ah. Aham. Jornalismo.
-Boa. Voce tem cara de jornalista gata.
-Vai doer. - falei, fingindo nao ouvir o que
ele disse.
-Aposto que nao mais do que está doendo.
Passei meu casaco por sua perna e dei dois
nós, super apertados.
-Filha da puta. - ele gritou, suspirando.
-Desculpe, desculpe.
-Tudo bem. Vamos logo, pelo amor de Deus.
-Claro. -Ajudei-o a se encostar no banco,
sentando-o, e voltei pro banco da frente, voltando a por o carro na rua. - Quer
agua?
-Nao, brigado. Vai demorar mais quanto tempo? Acho
que voce nao vai gostar de sair com um cara aleijado.
-Uns dez minutos. Voce nao vai ficar aleijado!
- falei, nervosa, acelerando.
-Entao voce vai sair comigo?
-Cara! Eu nem sei seu nome!
-É Kevin. Mas voce tem meu sangue nas suas
maos. Isso já é bastante intimidade. - olhei pra minhas maos e as vi vermelhas,
manchadas. Tremi. - Fica calma, vai sair depois.
-Voce nao vai morrer, nao é? -olhei-o pelo
retrovisor, começando a chorar.
-Nao, eu nao vou morrer, Jasmine. Por favor,
fure os sinais, faça o necessário. Voce tem um policial ferido no carro, deve
valer de desculpa.
-Claro. Claro.
Fui o mais rapido que pude e chegamos ao
hospital.
-Me ajudem, tem um policial baleado no meu
carro, me ajudem! - Eu comecei a gritar quando praticamente joguei meu carro na
emergencia, saindo logo.
Graças a Deus vários enfermeiros me ajudaram a
tirar Kevin de meu carro, peguei minhas coisas e dei entrada na emergencia.
-Kevin Kosta. Ligue pra minha mae. - ele disse
quando deitou na maca. -O nome dela é Evelyn, ta nos contatos. - me entregou
seu celular. - esteja aqui quando eu sair da cirurgia, Jasmine.
-Ta, tudo bem. - falei nervosa, nao prestando
muita atençao no que ele dizia.
Flashback off
E eu estava lá quando ele acordou. Estava lá
na sua fisioterapia, nas sessões de terapia, seu ferimento prejudicou seu
trabalho na policia e ele teve de sair.
Eu estou "lá" até hoje.
-E voce ainda está aqui. - Kevin disse, como
se lendo meus pensamentos, sorrindo.
-E eu sempre vou estar aqui. - corrigi,
beijando-o.


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