Achei nada mais digno -e minha cara- que começar falando sobre você aqui. Você sempre foi meu começo.
Semana passada você me pegou desprevenida falando poucas e boas em meus sonhos.. Desde quando você partiu, nunca soube lidar muito bem com isso de não te ver durante o dia, mas sim sempre a noite, sempre inconciente. De te ver sempre sorrindo nesses sonhos, sempre voltando pra mim, sempre dizendo que você nunca foi embora.. Besteira minha. Só me fazia acordar pior, querendo-te mais uma vez comigo, desejando que minha realidade não se passasse de um sonho, e que o sonho sim, fosse minha realidade.
Foi difícil te perder. Por tempos fixei a ideia de que você simplesmente me deixou, nos deixou, e agora ter de me acostumar ao fato de que tinha chegado a sua hora, ter de deixar de ser egoísta e pensar em mim mesma, mas sim que não havia nada que eu pudesse ter feito, é difícil pra cacete. Toda quarta, eu chego na terapia e conto um sonho diferente. Conto uma história diferente que você veio me dizer. Cada quarta é um choro diferente, um soluço mais profundo e um alívio vagaroso.. é como se eu tivesse finalmente te deixando ir.
Eu me agarro às vezes nessas tolas esperanças de que tudo não se passa de um sonho.. De que sei que você está bem, e de que vai voltar pra mim, mas eu não posso mais fazer isso, desculpa, mas eu preciso deixar essa ficha cair de que não há mais nada. De que acabou.
Você se foi, mas eu ainda estou aqui.


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