-É, eu imaginei. E também fiquei com medo disso.
Mas, ah, eu não sei. Você vinha aqui já com frequência.. E eu estava curioso,
digo, eu estava realmente interessado em voce.
-Estava? NOSSA, eu posso sair daqui agora depois
dessa.. –Ameacei me levantar mas Logan logo agarrou minha mão, dizendo:
-Não faça isso.
-Estou brincando, relaxa. –Eu ri e ele ficou apenas
me olhando, sorrindo bem sem graça.
-Eu queria mesmo te conhecer.. Mas eu só tomei a
iniciativa com uma garota uma vez e tem pouco tempo. Nós ficamos, e tudo mais..
Mas eu tive que me mudar prá cá, então..
-Entendo.
-Eu não sei, mas eu não me perdoaria se não tivesse
falado com você ainda.
-Graças a eu ter esquecido minha apostila. –Bati
palma, rindo. –Brincadeira.
-Mas eu teria arrumado um jeito de falar com você de
qualquer forma, pode ter certeza.
-Aham, com aquelas suas péssimas indiretas-diretas.
-Me desculpe. Eu não sou bom nisso.
-Ei, estou brincando. –Segurei sua mão, e céus,
estava grudando a mão dele.
Logan estava bem nervoso.
-Você não aparenta nada do que é, sabia?
-O que você quer dizer?
-Voce é tímido, mas fofo. É inteligente, mas
reservado. Aparenta ser um daqueles caras que cai na noite, pega todas, e no
dia seguinte acorda na cama de uma garota sem nem lembrar do nome dela. –Nós
rimos –Mas é sério, cara!
-Quem dera se eu fosse assim. –Franzi o cenho –Meu
pai era o machão da casa. Desde pequeno, ele me ensinou a ser o melhor, o
valentão do colégio, sabe? Chegou no ensino médio, ele reparou que eu não era
tudo aquilo e nunca seria. Ai foi quando ele começou a pegar mais ainda no meu
pé.. Ele já pensou que eu fosse, gay, cara! –Nós rimos –Era bem complicado
nossa relação.
-Então, no seu ultimo ano, foi seu ultimo suspiro
lá, não é?
-Exatamente.
-Vir pra cá foi como se estivesse se libertando, não
é?
-Quanto ta sua consulta? –Nós rimos –É exatamente
assim que me sinto.
-Eu também me senti assim. Minha mãe tem uma doença
bem rara desde quando eu era pequena, e nós, digo eu, meu pai e minha irmã
pequena, fazemos o que pudemos pra poder deixa-la bem e o tratamento dela não é
nada fácil, sabe?
-Sim..
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu apenas
sorri, olhando pela janela e balançando a cabeça.
-Tem tempo que eu não sento com alguém pra falar
essas coisas. É difícil, sabe?
-Tudo bem se não quiser falar, Elena. –Logan puxou
minha mão, e a acariciou, bem devagarzinho.
-Certo. Mas, enfim, né. –Suspirei, limpando meu
rosto.
-Como eu dizia.. Meu pai já chegou até a EMPURRAR
uma garota pra cima de mim, pra saber qual seria minha reação, sabe? Eu nunca
fui machão, o foda, essas coisas. E não vou ser.
-Fico feliz em saber disso. Eu estava cansada de
caras assim.
-Você tem cara de quem não foi muito feliz com
eles..
-É, exatamente. Eu já tive uns namorados na época do
colegial, mas não era nada sério. Quando saí do colégio, naquela procura pra
faculdade, eu me relacionei com uns caras, mas nenhum foi algo sério. E, sei
La.
-Você nunca se apaixonou de verdade? –Balancei a
cabeça, negativamente. –Fique feliz por isso. A garota que eu fui completamente
apaixonado por 10 anos da minha vida, era minha melhor amiga.
-Deus.
-É. Foi doloroso ver ela com zilhoes de namorados o
tempo inteiro, mas.. A vida segue, não é?
-Exatamente. A vida segue. Será que amanhã a tarde dava
pra a gente sentar pra resolver as paradas da faculdade?
-Poxa, amanhã a tarde eu vou receber um móvel.
–Suspirei –A noite não dá pra você?
-Não.. Vou pegar aqui, o tempo todo.
-Você pode passar lá, e eu te ajudo, se você me
ajudar a montar.
-Ah, não sei não. Isso de trabalho pesado não é pra
mim.. –Soquei seu braço.
-Ainda tenho o que desconfiar de você, ein?
-O que quer dizer?
-Estou começando a concordar com seu pai.
Na hora que disse isso Logan apenas riu, e ficou me
olhando. Digo, olhando mesmo. E assentindo com a cabeça.
-O que? –Eu perguntei, rindo, sem graça.
-Até eu poder te provar o contrário, não é?
-
...

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