Capítulo 6 - as aparencias enganam

sábado, 29 de abril de 2017
-É, eu imaginei. E também fiquei com medo disso. Mas, ah, eu não sei. Você vinha aqui já com frequência.. E eu estava curioso, digo, eu estava realmente interessado em voce.
-Estava? NOSSA, eu posso sair daqui agora depois dessa.. –Ameacei me levantar mas Logan logo agarrou minha mão, dizendo:
-Não faça isso.
-Estou brincando, relaxa. –Eu ri e ele ficou apenas me olhando, sorrindo bem sem graça.
-Eu queria mesmo te conhecer.. Mas eu só tomei a iniciativa com uma garota uma vez e tem pouco tempo. Nós ficamos, e tudo mais.. Mas eu tive que me mudar prá cá, então..
-Entendo.
-Eu não sei, mas eu não me perdoaria se não tivesse falado com você ainda.
-Graças a eu ter esquecido minha apostila. –Bati palma, rindo. –Brincadeira.
-Mas eu teria arrumado um jeito de falar com você de qualquer forma, pode ter certeza.
-Aham, com aquelas suas péssimas indiretas-diretas.
-Me desculpe. Eu não sou bom nisso.
-Ei, estou brincando. –Segurei sua mão, e céus, estava grudando a mão dele.
Logan estava bem nervoso.
-Você não aparenta nada do que é, sabia?
-O que você quer dizer?
-Voce é tímido, mas fofo. É inteligente, mas reservado. Aparenta ser um daqueles caras que cai na noite, pega todas, e no dia seguinte acorda na cama de uma garota sem nem lembrar do nome dela. –Nós rimos –Mas é sério, cara!
-Quem dera se eu fosse assim. –Franzi o cenho –Meu pai era o machão da casa. Desde pequeno, ele me ensinou a ser o melhor, o valentão do colégio, sabe? Chegou no ensino médio, ele reparou que eu não era tudo aquilo e nunca seria. Ai foi quando ele começou a pegar mais ainda no meu pé.. Ele já pensou que eu fosse, gay, cara! –Nós rimos –Era bem complicado nossa relação.
-Então, no seu ultimo ano, foi seu ultimo suspiro lá, não é?
-Exatamente.
-Vir pra cá foi como se estivesse se libertando, não é?
-Quanto ta sua consulta? –Nós rimos –É exatamente assim que me sinto.
-Eu também me senti assim. Minha mãe tem uma doença bem rara desde quando eu era pequena, e nós, digo eu, meu pai e minha irmã pequena, fazemos o que pudemos pra poder deixa-la bem e o tratamento dela não é nada fácil, sabe?
-Sim..
Meus olhos se encheram de lágrimas e eu apenas sorri, olhando pela janela e balançando a cabeça.
-Tem tempo que eu não sento com alguém pra falar essas coisas. É difícil, sabe?
-Tudo bem se não quiser falar, Elena. –Logan puxou minha mão, e a acariciou, bem devagarzinho.
-Certo. Mas, enfim, né. –Suspirei, limpando meu rosto.
-Como eu dizia.. Meu pai já chegou até a EMPURRAR uma garota pra cima de mim, pra saber qual seria minha reação, sabe? Eu nunca fui machão, o foda, essas coisas. E não vou ser.
-Fico feliz em saber disso. Eu estava cansada de caras assim.
-Você tem cara de quem não foi muito feliz com eles..
-É, exatamente. Eu já tive uns namorados na época do colegial, mas não era nada sério. Quando saí do colégio, naquela procura pra faculdade, eu me relacionei com uns caras, mas nenhum foi algo sério. E, sei La.
-Você nunca se apaixonou de verdade? –Balancei a cabeça, negativamente. –Fique feliz por isso. A garota que eu fui completamente apaixonado por 10 anos da minha vida, era minha melhor amiga.
-Deus.
-É. Foi doloroso ver ela com zilhoes de namorados o tempo inteiro, mas.. A vida segue, não é?
-Exatamente. A vida segue. Será que amanhã a tarde dava pra a gente sentar pra resolver as paradas da faculdade?
-Poxa, amanhã a tarde eu vou receber um móvel. –Suspirei –A noite não dá pra você?
-Não.. Vou pegar aqui, o tempo todo.
-Você pode passar lá, e eu te ajudo, se você me ajudar a montar.
-Ah, não sei não. Isso de trabalho pesado não é pra mim.. –Soquei seu braço.
-Ainda tenho o que desconfiar de você, ein?
-O que quer dizer?
-Estou começando a concordar com seu pai.
Na hora que disse isso Logan apenas riu, e ficou me olhando. Digo, olhando mesmo. E assentindo com a cabeça.
-O que? –Eu perguntei, rindo, sem graça.
-Até eu poder te provar o contrário, não é?

-
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