-Vamos sair? Estou com uma enxaqueca terrível.
Logan suspirou, assentindo e apenas se levantou. Ele
não olhou pra trás, ele não quis me ajudar a levantar, nem nada. Apenas se
levantou, e saiu da sala do cinema.
Saí atrás dele, devagar, com medo de minhas pernas
cederem novamente e eu acabar caindo no meio do cinema.
Assim que entramos no carro, o clima já estava
pesado de novo.
-Me desculpe, eu..
-Até quando você vai continuar fazendo isso? –ele
disse depois de colocar o cinto e me olhar feio.
-Isso o que, Logan?
-Isso tudo. Você passa mal a cada segundo, quando
não quase desmaia, fica dessa forma. Voce acha que está tentando enganar a
quem, Elena?
-Que que você ta querendo dizer? –Contorci meu
pescoço, cruzando os braços.
-Que você está seriamente doente, Elena. E ainda não
se tocou nisso. Eu não sei a razão pela qual você insiste a não ir no hospital,
ou só receber visitas e consultas da mãe de uma amiga que é médica, mas você
precisa parar com essa palhaçada toda e..
-Palhaçada toda? –Eu cospi as palavras.
Não acredito que ele tinha dito isso.
-Sim, palhaçada. Qual o problema de ir logo em um
médico e ver o que você tem? Você está me preocupando, Elena.
-Quando você ver o amor da sua vida desfalecer em
uma cama de hospital, passar NOVE, não foi uma semana, ou um dia, FORAM NOVE
MESES ao lado dele, escutando ele gritar pelo seu nome a cada agulhada que
tinha que levar no corpo por causa do tratamento, e ainda tiver coragem de
frequentar hospital TODA HORA que se sentir mal, com todas essas lembranças na
sua mente, você me avisa, pode ser?
Na hora, Logan não falou nada. Absolutamente nada.
Eu não chorei, não gritei, não me exaltei. Falei
normalmente, como falaria sobre qualquer assunto. Mas uma Elena gritava dentro
de mim, esperneava pra que eu a libertasse e socasse logo Logan, porque sem
duvidas, doeria menos o que aquelas palavras todas horrorosas que fui obrigada
a dizer, e também, ouvir o que ele disse.
Entao, Logan ligou o carro, ainda em silencio, e fez
o caminho de volta pra casa.
Assim que ele estacionou o carro na garagem, eu
travei o pino do meu lado (era um daqueles carros que se travar um dos pinos
dos bancos da frente, travam todos ao mesmo tempo)na hora que ele ia abrir a
porta.
Ele apenas se virou pra mim, e ficou me olhando.
Então, finalmente eu o disse:
-Me perdoa, por favor. Eu não queria isso, e eu não
te contei porque.. Porque não era hora, sabe?
-Quando seria a hora? Quando estivesse em cima de
uma cama de hospital? –Logan falou em uma voz sufocada.
-Logan, é difícil pra mim. Vai se fazer um ano que
tudo aquilo passou, mas não passou aqui dentro. –Apontei pro meu coração, e
algumas lágrimas já começaram a cair. –Desde aquela época, eu tenho pavor de
médicos, hospitais, de tudo relacionado. E eu jurei, que independente de minha
situação, ou por qualquer pessoa da minha família ou não, eu colocaria os pés
de novo em um hospital.
-Ele tinha quantos anos?
-Eu tinha 17 e ele 19.
-Caramba. –Logan ergueu a sobrancelha. –Quer falar
sobre isso?
-Está na hora. Está mais do que na hora. –Eu
suspirei, olhando bem pra ele ainda –Nós estávamos tão bem, sabe? A gente fazia
praticamente tudo junto.. A gente era inseparável. –Eu consegui sorrir, em meio
a muitas lágrimas que já escorriam –E então, ele começou a ficar doente,
doente, e mais doente. Até vir o diagnóstico e acabar com nossas vidas.
-Foi muito tempo?
-Ficamos 8 meses juntos. Mas antes a gente já era
amigo então, sabe?
-Sim. –Ele assentiu, segurando minha mão e
beijando-a –Eu não queria que você estivesse contando isso, Elena. Não precisa
me contar..
-Sim, eu preciso, Logan. Está preso aqui, dentro
sabe? Está entalado aqui dentro. –Fiz uma mímica indicando meu peito –Logo
depois, na época parecia que cada dia era mais longo. Eu não estudava, era só
hospital, casa, hospital, casa.. E quando estudava, minha mente não se desligava
dele. Porque ele teve de ficar internado, pelas circunstancias da época e essas
coisas.
-Sua mãe sabe?
-Todos souberam. Eu entrei em depressão depois do
segundo mês dele internado. Ele já estava.. Ele estava tão..
Dei um suspiro, olhando pra frente, e o nó na minha
garganta pareceu um tijolo agora. E as lágrimas começaram a cair,
descontroladamente.
Meu medo era justamente esse.
A hora que começasse a falar, chorar, e não
conseguir mais parar.
...
-

Nenhum comentário
Postar um comentário