-Ei, Ju, vamos pra aquela social em Ipanema
hoje? -Yasmin, minha melhor amiga, perguntou assim que chegou em casa, tratando
logo de tirar os livros de cima de minha cama pra se sentar.
Eu tinha prova no curso, papeladas de onde
faço estágio pra resolver, e só de sobremesa, um lindo trabalho de Filosofia
para apresentar na faculdade.
Mundo inteligível e sensível sempre pegando no
meu "mundo social", que não existia há quase um mes, por conta dessa
correria toda!
-Voce tá de sacanagem comigo, né Yasmin? Nao
ta vendo o quanto de coisa eu tenho pra fazer? -Falei, tirando meu óculos de
grau e olhando seriamente pra ela.
-Wow, relaxa aí! To ha milhoes de anos indo
pra esses lugares sozinhas, sem a companhia da minha melhor amiga, cansei já.
Nao pode faltar uma noite nessa sua rotina aí de estudos? Voce tem uma semana
pela frente, de feriado!
-Que eu usaria pra dormir até tarde e dar só
uma revisada na matéria. Nao sou de ferro, Yasmin.
-JUSTAMENTE! Voce nao é de ferro, Julieta. Se
não sair por aí pra se divertir, pelo menos uma vez por mes, vai acabar
enlouquecendo. É fato que estudar tantos dias seguidos e sem um devido
descanço, faz mal. E não vai dar em nada, no fim das contas.
-Mas eu descanço!
-Ficar no celular calculando suas despesas e procurando
na internet temas pra te ajudar em pesquisas, nao é descanço.
-Mas eu..
-É sua última chance comigo. -Ela falou bem
séria. Dava pra perceber que Yasmin estava chateada. -Ouviu bem, né? Me dê uma
chance. Te prometo que essa noite vai fazer voce mudar de ideia.
-Que horas começa? -Bufei, levantando da cama
e indo pro meu guarda roupa, arrumar minhas coisas.
-20h. Pode vestir algo simples. Nao vai ser
uma daquelas sociais que alguem coloca uma caixinha de som com funk, junta mais
de 100 pessoas num apartamentinho, etc. É um grande amigo meu, que reencontrei
tem pouco tempo, ele me chamou pra ir no primeiro show dele, em um bar
chiquerrimo de Ipanema.
-Show? -Franzi o cenho, cruzando os braços pra
ela. Que papo era aquele agora?
-É! Ele é um gato. Com certeza voces se darão
bem.
Ahh.. Agora eu estava entendendo tudo.
-Então essa era sua ideia? Me arrastar pra
alguém?
-Ah, jesus. Como voce está dificil. -Yas
bufou, revirando os olhos. -Não, Julieta, não quero te arrastar pra ninguém.
Ele é meu amigo, estudou comigo no colégio e nos reencontramos semana passada.
Me deu os convites para entrarmos e eu só disse que voce gostaria do tipo de
musica que ele canta. Nao é nada demais, ele começou agora com isso e só faz
covers.
-Voce sabe do que eu penso sobre gente que
vive sobre as musica dos outros.
Nao curto. Se eu quero ouvir tal musica, vou e
ouço na voz de quem canta ela. Não de um desconhecido que quer se investir com
ela.
-AAHH! Voce quer ir ou não?Vai ser legal. Vai
jogar essa chance fora? Juro que não quero te empurrar pra ele! Se nao me
engano, ele tem namorada! Sério.
-Ta, ta. Que seja. Vou pegar uma roupa e tomar
meu banho.
-Só nao demore. Nao quero chegar lá e ja terem
ocupado os melhores lugares.
Eram quase 20h, então eu realmente precisaria
me apressar.
Tomei um longo banho, tentando relaxar mais e
logo vesti uma confortável jeans skinny, uma camiseta branca e coloquei minha
jaqueta vermelha.
Era outono agora e apesar de Rio de Janeiro
fazer frio um dia no ano (e olhe lá!), a noite costumava ter uma brisa bem
gelada e eu de forma alguma poderia ficar doente em meio época de provas. De
forma alguma.
Sequei meu cabelo e resolvi ir com ele daquela
forma mesmo. Estava sem animo algum pra me maquiar, ou prende-lo, ou fazer algo
do tipo.
-Voce ta linda. -Yasmin disse, orgulhosa assim
que sai do banheiro. -Tudo pronto?
-Quase..
Passei um pouco do meu CK que já estava quase
acabando -choros- e finalmente dei uma ultima olhada no espelho.
Estava simples. Normal. A Julieta de sempre.
-Ok. Vamos.
Saímos de meu prédio, demos a sorte de pegar
um táxi na porta bem rápido e em questao de pouco mais de vinte minutos,
estávamos na porta do tal bar.
Parecia já meio cheio, mas estava agradável lá
dentro.
Havia uns rapazes no palco montado, checando
som e alguns instrumentos, pessoas no bar que era na lateral da porta, e
algumas de pé, na frente do palco, esperando.
-Vamos lá falar com ele? Vai ser rápido. Ele
queria muito que eu viesse, e voce sabe, preciso dar meu alô. -Antes que eu
negasse, gritasse ou saísse correndo, Yasmin já estava me puxando lá pra frente
do palco.
-Yasmin, eu..
Ela sabia o quanto eu odiava ser apresentada
pra pessoas assim. Principalmente garotos. Argh.
-Ei, Enzo!
Minha amiga chamou e logo saiu lá de trás do
palco, um moreno alto, forte pelo que deu pra perceber e com um lindo sorriso
no rosto. Sua pele era bronzeada mesmo, combinando com seu visual meio
desleixado.
Enzo usava uma jeans clara meio rasgada perto
dos bolsos e uma camiseta branca, por cima, pendia uma jaqueta preta apenas pra
dar aquele charme.
-Heeey Yas! -Falou num tom de voz bem
agradável.
Ele deu um salto, descendo do palco e vindo
abraçar minha amiga.
-Que bom que veio, cara. -Ouvi ele dizer.
-Então, quem é a bonita aqui do lado? -Cochichou.
Ah. Deus.
Nao podia dizer algo pior, pra me deixar mais
sem graça?
-Enzo, essa é minha amiga da qual te falei!
Ela está tão curiosa pra saber o que vai tocar hoje! -Yasmin me deu uma
cotovelada, bem evidente.
-E-EI. -Sorri, cumprimentando-o com dois
beijinhos no rosto. Saudoso jeito carioca.
Um enorme obrigada a quem inventou essa
saudação intima. Pude sentir o cheiro de seu perfume. Ah, que cheiro
maravilhoso..
-Bom, espero que goste. -Ele falou sorrindo.
Homem. Pare. Com. Isto. -Vou lá. Fiquem na minha visão. Gosto de ter uma boa
vista enquanto tô cantando. -Falou me encarando.
Minha anaconda não. Me salvem.
-Ok! -Yasmin disse empolgada, como se ele
tivesse dito "fica a vontade gata". Nada demais. Claro. -Vou pegar
bebida. Ta afim?
-Tô. -Bebo o bar inteiro depois dessas.
Preciso de algo pra aquecer.
-Enzo não costuma ser tão convidativo igual
pouco agora. Sorte a sua, huh? -Ela me deu outra cotovelada antes de ir para o
bar, rindo.
Ridicula.
Ia dar uma cotovelada é na cabeça dela.
Fiquei de pé, quase ao lado do bar e bem no
meio dali. Tinha visão completa do palco. Agora eu queria ver quem era esse
Enzo no palco.
Pouco depois, Yas voltou com nossa bebida e
era alcool puro. Havia tempos em que nao bebia daquela forma, porém noite ou
outra eu tomava uns goles sozinha em casa pra poder ficar acordada e conseguir
estudar.
Algumas vezes, eu acabava estudando bebada.
E por incrivel que pareça, me lembrava do que
tinha estudado. É. Sou estranha mesmo.
Então, algum desconhecido apresentou Enzo e os
outros meninos e eles começaram a tocar.
E então ele começa a tocar Gravity. John
Mayer.
Arrepiei-me dos pés a cabeça. Todo
-santo-mundo sabia que eu era apaixonada por esse homem. Está brincando ne?
Eu era
capaz de ver Yasmin sorrindo pra mim assim que a musica começou, ela devia
imaginar que eu estava explodindo por dentro.
Apenas balancei a cabeça, fechando os olhos e
começando a cantar.
-Gravity is working against me.. -Sorri, ainda
de olhos fechados. -And gravity wants to bring me down..
Depois dessa, veio slow dancing in a burning
room pra arrombar mais Julieta, claro. Depois Into your arms -the maine! Cara.
The. Maine. -E a voz desse garoto era tão suave.. Parecia que ele cantava com o
coração mesmo. Com vontade.
Não sei se era a bebida ou algum maconheiro
por perto, mas eu estava pegando uma onda..
Na proxima do the maine, Im sorry, foi quando
comecei a perceber que ele não tirava os olhos de mim a cada musica que
cantava. Nos refrões com dizeres especificos e romanticos, ele sorria com
aquele seu jeito moleque e continuava olhando pra mim.
Parecia que ele estava cantando pra mim. Quão
louco é isso?
Pra acabar com meu coração de vez -e depois de
alguns (muitos) drinks- veio um cover que John Mayer fez, de XO.
Aí sim que eu cantei como se não houvesse
amanhã.
E olhando pra ele.
E rindo.
E correspondendo o que quer que fosse aquela
coisa tão boa que eu estava sentindo.
-
Após seu show, algumas musicas -boas, por
sinal! -começaram a rolar e eu fiquei sentada no bar, enquanto Yasmin ficava um
pouco com seu namorado (que eu havia descoberto que era o baterista da banda!)
eu sabia que ele era baterista de uma banda, mas eu nao ia adivinhar que era da
mesma de Enzo, é claro.
-E então?
-Ouvi aquela voz suave chegar de mansinho ao meu lado e se sentar do meu
lado, porém de frente pra mim.
-Então. -Falei, olhando pra ele e sorrindo.
Não core. Não core. Não..
Ah. Não. Estou corando.
-O que achou?
-Voce sabia?
-Do que?
-Franziu o cenho e logo após pediu dois drinks pra ele.
-Das músicas. Eu conheço e sou perdidamente
apaixonadas por todas que cantou. E pelo John Mayer, claro.
-Mentira? -Mostrou-se surpreso de verdade.
-Juro que nao sabia. Olha só.
Então ele jogou seu iPhone em cima da mesa e
me mostrou sua lista do iTunes. Apenas musicas de John Mayer, The Maine, The
XX, tinha até the 1978.....Ah, Deus. Me segura.
-Uau. -Ergui a sobrancelha, impressionada.
-Que bom gosto o seu.
-É. Preciso dizer, o seu também.
-Obrigada. -Sorri, terminando minha bebida.
-Voce faz faculdade? -Ele perguntou, ainda sem
desviar os olhos de mim.
-Aham. -Olhei de volta. Eu precisava me
mostrar interessada, né? -Fiz de Jornalismo e agora curso Filosofia. Também
faço um curso extra de desenhos.
-Sério? Caralho. Que viajada voce. -mostrou-se
impressionado. Eu ri. -Quem sabe voce nao faz a capa de um cd meu?
-Quem sabe. -Dei de ombros, rindo. -E voce?
Faz o que por aí?
-Eu canto pro youtube. Sou um desocupado pros
meus pais que atualmente moram em Nova Yorque. Um aluno meio desleixado na
faculdade de História.
-História? -Agora eu quem estava surpresa.
-Achou que eu fosse um mané do skate que no
tempo vago canta meninas depois dos shows, huh?
-Rimos. -To brincando. É, história. Eu, sei la.. Sinceramente, nao sei
por que escolhi. Só adorava estudar no colégio, adorava ler sobre, então
embarquei nessa e fiquei bem.
-Quantos anos voce tem?Desculpa
perguntar. -Soltei. Muito sem querer,
juro.
-Menos que 100, nao se preocupe. -Gargalhei.
-25. E voce?
-Mais que 14. Sei que aparento ser novinha,
mas..
-Pagou tanta bebida assim com sua ID falsa,
né? Saquei. Só nao vale colar uma foto da barbie no lugar da sua. -Rimos.
-É. Tenho só 26, baixinho. -Caçoei. Mas eu
sabia muito bem que ele era mais alto. -Foi uma semana meio dificil. Alias, um
mes dificil. Acontece. -Pisquei.
-Voce acha que encher a cara resolve?
-Com uma boa companhia já adianta muito.
-Sorri, olhando pra ele. Há moleque! tchahnanan Julieta em ação.
-Garçom, me dê mais 20 doses dessa por favor.
-Enzo falou brincando e eu morri de rir de novo. -Mas o que aconteceu, pra voce
estar assim?O namorado fez 18 anos e descobriu as boates de stripp?
Tava faltando essas indiretas de namorado.
-Se houvesse um, né? -Ri, brincando. -Ando com
muitos trabalhos e prova, na faculdade. Complicado.
-Ah, entendo. Quando eu resolvo dar um alô na
faculdade passo pelo mesmo. -Rimos.
-É. Yasmin praticamente me arrastou pra vir
pra cá, senão eu estaria infurnada em casa, lendo e fazendo pesquisas.
-Hum... E isso foi bom? Valeu a pena ter
vindo? -Sorriu, terminando sua bebida logo apos.
-Acho que sim.
Enzo parou e ficou me olhando por uns
segundos. Ele balançou a cabeça, se levantou e me puxou, dizendo:
-Vamos sair daqui. Não vim pra passar a noite
atrás de um bar, te paquerando.
-Mas.. E Yasmin? -Falei meio atordoada e já sendo puxada por
ele.
-Ela vai ficar bem, nao se preocupe. Mandamos
uma mensagem depois.
Sorri, saindo dali com ele.
Ele me levou pra um estacionamento ali perto,
subimos em sua moto -Sim, radical! -e fomos em busca do desconhecido. Deus é
pai.
-
-Primeira parada pra fazermos um lanchinho e
não acabarmos dando um PT no meio do caminho.
Mc Donalds. Esse moleque sabia como agradar
uma mulher!
Graças a Deus estava quase que vazio.
Ok, eram 2 da manhã, não tinha como estar
lotado, né.
Pedimos um lanche, e ele pediu logo pra viagem
tudo. E ainda pagou!
To no céu. Hosana me segura.
-Ué, nao vamos comer aqui?
-Nao temos tempo pra isso! Comer onde eu quero
é melhor. -Sorriu, piscando pra mim.
Colocamos os lanches em sacolas, pegamos a
moto e partimos pro proximo ponto. Dito ele, que seria a parada final.
Depois de algumas ruas vazias, sinais abertos
e ventos me descabelando, chegamos.
Pedra do arpoador.
E a praia estava vazia também!
Ah.. Tudo o que eu queria!
Assim que ele estacionou a moto e tiramos o
capacete, perguntou:
-E aí, gostou?
-Ta brincando, ne? É perfeito! -Sorri, pegando
nosso lanche.
-Ótimo. -Sorriu -Vamos, to morto de fome.
Pegamos uma area boa na areia, sentamos, e
começamos a comer. Eu comia como se não houvesse amanhã. Fazia decadas que nao
comia um lanche tao gorduroso, e tão bom.
-Nossa. Há quanto tempo voce nao sabe o que é
Mc Donalds? -Ele logo reparou, enquanto comia também.
-Muito tempo. -Falei de boca cheia. -Meu Deus,
isso é tao bom!
-Que tipo de vida voce leva, cara?
-Eu só estava comendo coisas saudaveis pra
poder me ajudar a estudar melhor, me concentrar mais nas aulas.. sabe?
-Ah, entendo. -Assentiu, tomando seu
refrigerante.
Quando acabei de comer, juntei meu lanche na
sacola e deixei ao meu lado.
De repente, Enzo me olhou rindo.
-Que foi?
-Ta sujo.. -E com seu dedo indicador, limpou o
canto da minha boca.
Cena mais cliche que essa, só se a gente se
esbarrar do nada e ele me pedir em casamento, dizendo que sou a menina mais
linda que já viu.
-Ah, obrigada. -Sorri, limpando-me sozinha depois.
-Então.. Julieta, huh?
-É, né? Achei que ja tivesse esquecido.
-Observei, olhando as ondas.
-É a primeira vez que conheci uma Julieta, na
vida. Então, acho que vai ser meio dificil esquecer desse nome. É tipo a do
Romeu?
Demorei uns segundos pra identificar aquele
trocadilho pessimo.
-Nossa. -Gargalhei. Em 26 anos de vida,
ninguem tinha feito uma piada tão ruim assim com meu nome. -Voce é bem
criativo, huh?
-É. Um quase historiador tem suas vantagens.
Trabalho com raizes do passado.
-É apegado a ele?
-Sei lá. -Pela primeira vez na noite, Enzo
ficara sério de verdade, observando as ondas. -Sei que sinto falta dele. Tipo..
Foi quem eu fui, né?Nao tem como apagar.
-É. Nao tem como apagar. -Assenti,
concordando.
-Fiz escolhas erradas durante minha
adolescencia, e a maioria delas me frustaram pra cacete. Aconteceu isso com
voce?Alguma vez?
-Já fiz muitas escolhas erradas, também. Mas o
importante é o que voce aprende com elas, após.
-É. Isso é verdade. -Assentiu, balançando a
cabeça. -Tem um ano e meio que não saio com ninguem assim, sabia?
Entao ele nao tinha namorada. Ah. Ok.
-Sério?
-É. Eu tinha uma namorada que ficamos juntos
até ano passado. Quase engravidei ela uma vez, foi um baita susto. Aí do nada
ela veio com uma pressão de casar.. E eu nao quero isso agora, sabe? Eu sinto
que.. Eu nao to preparado. Nao ainda.
-Entendo.
-Já teve alguem assim?
-É.
Algumas vezes. Mas nao gosto de falar sobre isso. Desculpe.
-Tudo bem. -Deu de ombros. -Esse papo tá muito
melancolico. Vamos pra outro lugar?
-Onde? São quase 3 da manha, Enzo!
-A noite é uma criança, Julieta..
-
As 3 da manhã, acabamos indo parar na orla de Copacabana. Nada como uma
caminhada, nao é mesmo?
-Gosto daqui. Me traz uma puta paz. -Enzo
disse assim que nos sentamos na areia da praia.
-Eu também.
-Entao, o que vai fazer nesse feriado?Eu to de
bobeira.
-Eu planejava estudar um pouco e descansar.
-Posso fazer parte desse descanso?
-Acho que sim. -Sorri, olhando pra ele.
-Chegamos no fim da linha, entao?
-Acho que sim. -Sorriu, me olhando. -A nao ser
que tenha ideia de ir pra outro lugar. Voce quem manda.
-Entendo. Eu na verdade precisava ir logo.
Tenho um trabalho pra fazer pra faculdade..
-Sobre o que?
-Mundo sensível e inteligivel.
-Famoso Platão. -Assentiu, olhando pra frente.
-Me persegue -Revirei os olhos. -Mas nao tem
outro jeito, né..
-Voce já tem alguma teoria? Pra apresentar?
-Sim. Mas apenas do inteligível. -Olhei pra
ele.
Percebi o quanto estava perto de mim. Era
capaz de ver meu reflexo naqueles belos olhos castanhos..
-Talvez eu possa te ajudar no mundo sensível.
-Voce? Um historiador? -Ri. -Como entao?
Olhei bem pra cara dele.
Enzo apenas sorriu, colocou sua mão em minha
nuca e foi aproximando nossos rostos suavemente. E me beijou. Um beijo suave,
com gosto de coca-cola e acompanhado de uma leve corrente elétrica chamada
"atração a primeira vista". Ou a primeira prova, né?
Passei minha mão pros seus suaves cabelos
morenos na nuca também, e por um instante, não queria sair nunca daquele beijo.
Ah.. Que beijo.
-Não duvides de mim, oh Julieta. -Sussurrou,
colando nossas testas.
-Oh Romeu, meu doce Romeu! -Falei, me
afastando em tom dramático. Rimos.
-Voce de fato ja leu?
-Claro que nao. -Rimos mais uma vez. -Um dia
eu vou.
-Um dia posso ler pra voce. -Enzo falou,
piscando pra mim.
-Termina a faculdade primeiro e depois
conversamos. -Ele riu, assim que falei, me levantando.
-Ah, já vai? -Levantou-se rapidamente, parando
de frente pra mim.
-Eu falei sério quando disse que precisava ir.
-Fiz biquinho. Claro que eu nao queria ir embora.
-Ah. Entendo. Posso pegar seu contato com
Yasmin? Eu realmente gostaria de te ver de novo, Ju. -Falou sério, olhando pra
mim.
Parei pra pensar.
Não ia matar, só mais uma noite, nao é mesmo?
-Eu acho que tenho uma ideia melhor. -Sorri,
pegando em sua mão e correndo com ele pra sua moto novamente.
-Opa.. Pra onde senhorita?
Passei o endereço certinho pra ele, e em
poucos minutos chegamos, aproveitar que estavamos perto de onde eu queria.
Falei pra ele onde parar sua moto, e ainda
confuso, Enzo veio comigo.
-Pra onde é que estamos.. -Franziu o cenho.
Abri a porta e ali estávamos.
-Tchanan! -Falei rindo e empurrando-o pra
dentro. -Welcome home.
-Interessante. -Cruzou os braços, rindo. -Essa
era sua ideia?
-Tem muitas coisas que podemos fazer aqui as 4
da manha, ta bem? Tem filmes bons passando na TV, tem DVD, tem..
Antes que eu pudesse continuar, Enzo me
agarrou mais uma vez, me beijando e me preensando na porta, fechando-a. Foi O
beijo.
-Tem algo melhor. -Sussurrou no meu ouvido,
beijando meu pescoço um pouco embaixo.
Meu coração tremeu. Santo Deus. Eu tremi feito
uma escavadeira ou algo do tipo.
-Vou aceitar sua proposta. -Falei, já tirando
sua blusa.
Ele me pegou no colo e deitou-me no sofá da
sala mesmo, tirando seus sapatos e os meus.
-Nao to acostumado a fazer isso no primeiro
encontro, entao me desculpe se eu.. -Começou a falar.
-Shh. -Calei-o, passando a mao por seu abdome
e beijando. -Só deixa rolar.
-Lá se vai mais uma teoria pro seu mundo
sensível. -Rimos.
E que teoria.
-


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